terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Onde Anda a Solidariedade?

Se se entender política social como as acções prosseguidas com vista à
realização do bem-estar social e Estado Social ou Providência (welfare state na cultura anglo saxónica) como uma forma organizativa de sociedade que dá uma resposta colectiva às necessidades de cada uma das pessoas (Jornal de Notícias, http://www.jn.pt/Domingo/Interior.aspx?content_id=1665901), facilmente se percebe que o Governo está longe de ambos os conceitos.


Não é difícil em concordar que, actualmente, a agenda social não contém medidas que satisfaçam as necessidades sociais dos cidadãos, verificando-se, cada vez mais, um afastamento pela preocupação social, onerando o cidadão.


O paradigma da solidariedade está a mudar, estando o Governo ofuscado com a austeridade, atrevendo-me a dizer que, actualmente, não vivemos em democracia, mas sim, numa austerocracia (sistema político baseado, unicamente, em políticas de austeridade), obriga a que sejam encontradas novas formas de apoio a instituições que prosseguem os princípios sociais.


À destruição do Estado Social, seja por ideologia política, seja por medidas de austeridade ou por completo desprezo pelas pessoas, pode-se juntar o crescente número de famílias que, cada vez mais, necessitam de apoio. Esse apoio encontram-no, maior parte das ocasiões, nas Instituições Particulares de Solidariedade Social.


Assim, com o aumento da procura de serviços de apoio, prestados pelas IPSS, e a falta de comparticipação, por parte do Estado, no esforço dessas instituições, obriga a novas formas de financiamento das mesmas.


Na cidade da Guarda, a Autarquia, desde o ano de 2010, em parceria com outras entidades locais, pela época natalícia, faz uma recolha de bens (roupas, brinquedos, etc.) com a finalidade de serem distribuídos por instituições sociais locais. Contribui, de certa maneira, para a sustentabilidade dos serviços de apoio aos mais carenciados.


Outra forma de procura de sustentabilidade social, é o exemplo da gala que aconteceu no passado dia 7 de Janeiro, no Teatro Municipal da Guarda, promovida, mais uma vez, pela Autarquia, em parceria com a Associação Empresarial, a Associação Comercial, o Instituto Politécnico da Guarda, a Escola Profissional (Ensiguarda) e a Associação Ideias.Guarda, idealizada por um jovem músico da cidade.


A gala, com o nome "O Sonho numa bola de sabão", juntou a música, o teatro e a mágica no mesmo palco, mas o essencial foi o resultado final. O bilhete teve um custo de €5,00 (cinco euros), revertendo a totalidade da receita para instituições que têm intervenção na área da infância/juventude.


À falta de sensibilidade governativa para as questões sociais, agravado por medidas desastrosas de austeridade, urge a necessidade de encontrar novas formas de sustentar o digno trabalho das IPSS. Assim, referi aqui dois singelos exemplos, contudo, numa altura em que os desafios são cada vez mais exigentes, haverá necessidade de continuar a procurar formas de sustentar o bem-estar social.


Até um próximo post.

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