quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Solidariedade Local

Já é sabido de toda a comunidade que a crise financeira, inicialmente, e a económica, actualmente, em conjunto com medidas penalizadoras ao crescimento económico preconizadas pelo actual Governo, está a arrastar famílias para uma situação de carência absoluta.

Também é sabido que a agenda social deste Governo não existe, vai aparecendo uma outra medida desgarrada na forma de esmola, pensando o Governo e o Ministro da Segurança Social que é assim que irá resolver os problemas sociais do país.

A realidade é que este Governo (é verdade, bater sempre no mesmo, em quem mais poderia ser?) não tem a noção de solidariedade, abandonando quem mais precisa e reforçando quem já enriqueceu.

Com este comportamento, o trabalho tem que sobrar para alguém, ou dito de outra forma, entende este Governo que a solidariedade tem que ser desenvolvida, em primeira instância, por outras entidades, chamando a isto descentralização ou desconcentração de competências.

Assim, para quem é que vai a nobre tarefa de auxiliar as famílias carenciadas? Actualmente, existem três hipóteses, as misericórdias, as Instituições Particulares de Solidariedade Social e as Autarquias.

As autarquias são verdadeiras entidades mágicas, ou seja, são organismos endividados, com uma redução acentuada das transferências em sede de Orçamento de Estado, mas mesmo assim, com grande esforço, conseguem consignar verbas para apoiar os mais carenciados. É de louvar a sensibilidade destas entidades, em prescindir de obras de betão (as que, tradicionalmente, dão votos) para direccionar o esforço para quem mais precisa.

A Câmara Municipal da Guarda não está excluída dessas entidades mágicas. Cá pela terra já é sabido que está endividada, aliás, no orçamento para 2012 houve uma redução de 10 milhões de euros, contudo, tem consignado no documento orientador de gestão financeira verbas para o Fundo Municipal de Emergência Social.

Este fundo está orientado para apoiar famílias, que por uma razão ou outra, estejam a passar por dificuldades financeiras, contribuindo com verbas a essas famílias para fazer face a determinadas despesas.

Tinha que ser assim... Ainda bem que há gestores na edilidade que estão atentos à evolução dos problemas sociais, em parte resultante de falta de emprego na região.

Além do referido fundo, foi hoje anunciado, pela Vereadora do pelouro da acção social, que a Câmara irá distribuir refeições a famílias carenciadas, devidamente identificadas, socorrendo-se do excedente resultante das refeições produzidas nos três refeitórios da autarquia.

E eis um exemplo de desresponsabilização social do Governo, com a agravante de se estar a falar de um território socialmente deprimido e sem perspectiva de crescimento económico, por falta de apoios ao investimento no Interior.

Até um próximo post.

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