domingo, 10 de junho de 2012

Ainda Há Velhos do Restelo (Ou Velha Guarda)

No dia 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não podia deixá-lo passar sem evocar o próprio Camões. As minhas atenções foram, desta vez, para o canto IV dos Lusíadas, o Velho do Restelo.

"- "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça 
Desta vaidade, a quem chamamos Fama! 
Ó fraudulento gosto, que se atiça 
C'uma aura popular, que honra se chama! 
Que castigo tamanho e que justiça 
Fazes no peito vão que muito te ama! 
Que mortes, que perigos, que tormentas, 
Que crueldades neles experimentas!"

O Velho do Restelo simboliza os pessimistas, os conservadores e os reacionários que não acreditavam no sucesso da epopeia dos descobrimentos portugueses, correspondendo hoje em dia ao conservadorismo.

As experiências passadas são úteis para avançarmos no futuro, são processos de aprendizagem na nossa vida, que não nos devem condicionar, mas ensinar a fazer melhor, a não cometer os mesmos erros ou a repetir episódios bem sucedidos.

Portugal é um país de brandos costumes e continuiaremos a ter o Velho do Restelo, que por vezes, com a sua desconfiança da mudança tenta condicionar as escolhas e o futuro.

Há aqueles que receiam a mudança, encarando-a como uma afronta à sua existência de ser, como o fim de um protagonismo passado. Têm medo de transmitir os seus conhecimentos, usam a velha máxima que o "conhecimento é poder", arrecadando no seu regaço todo o saber e experiência vivida. Querem, assim, perpetuar dinastias, alegando-se como republicanos, mas acreditando e pondo em prática as regras feudais de passagem de testemunho entre descendentes.
 
Não é dada a oportunidade a novas experiências, a novas aventuras. Estas trazem novos desafios, desafios desconhecidos que os deixam desconfortáveis, pois não os dominam, não são os seus protagonistas. Preferem, assim, sacrificar o colectivo.

Por outro lado, os novos aventurados não devem ser prepotentes e subestimar as experiências e os conhecimentos passados. Devem, antes, saber ouvir e aprender.

Até um próximo post!

Sem comentários: