segunda-feira, 8 de abril de 2013

Dezoito e Trinta - Fim do Estado Social!

Ontem, às 18.30 horas, ao ouvir o Primeiro Ministro, entrei em pânico. Chorei, dei gritos de revolta, só faltou bater com a cabeça nas paredes. Estarei a ouvir bem?

Foi a minha reacção a quente, o primeiro impacto da mensagem. Evitei, no calor do nervosismo, de telefonar a outras pessoas para saber qual era a interpretação delas da mensagem escutada às 18.30 horas. Raciocinei - calma Nuno - isto não pode ser assim tão grave...

Por tal razão, e para não cair no erro de escrever qualquer coisa no calor das emoções, optei por esperar que os ânimos acalmassem.

A mensagem de ontem, para mim, foi clara: Portugueses e Portuguesas (sim, por eu me preocupo com a questão da Igualdade de Género) o Estado Social chegou ao fim! Neste caminho percorrido, durante esta legislatura, foi possível terminar com este Estado e criar condições para um Novo Estado. Um Estado em que não há responsabilidades, em que nos limitaremos a recolher impostos.

Foi esta a mensagem que recebi.

Reparemos em factos:
- O actual Primeiro Ministro, ainda antes de o ser, publicou um livro em que claramente defende a redução das funções do Estado (Mudar);
- Quem optou para ir além das imposições (também negociadas com o PSD e CDS/PP) foi este Governo, mesmo admitindo que iria aumentar a recessão, mas diziam eles que era necessário para criar confiança nos mercados internacionais;
- Quem inseriu as normas inconstitucionais no OE2013, idênticas às que foram consideradas inconstitucionais em 2012?
- Quem apresentou um corte (chamam eles de reforma estrutural) de 4.000 milhões de euros, à revelia de toda a oposição e concertação social, foi este Governo;
- Quem não tem um "Plano B" é este Governo, e o ministro que tutela as finanças nem sequer pondera outro plano. Portanto, terei que interpretar isto como uma "teimosia" para levar para a frente o fim do Estado Social;
- Ontem quais foram as áreas a abater referidas pelo Primeiro Ministro? Educação, Saúde e Segurança Social.

O drama da mensagem do Primeiro Ministro foi exagerado. Para mim isto é algo já estrategicamente pensado. Desde sempre que o mesmo defende que Portugal tem uma administração pública pesada, que é necessário reduzir as suas funções. Todo este caminho, o do empobrecimento das famílias e a espiral recessiva, serve para justificar a mudança de modelo de Estado, não a sua reforma, mas sim a ruptura com o modelo actual.

Até um próximo post!

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