sábado, 14 de dezembro de 2013

Uma Região em CIMa...

Com o advento da globalização e com Portugal inserido na União Europeia, o desafio das regiões tem mudado ao longo do tempo. A abordagem ao desenvolvimento local já não se compadece com uma atitude de "isolamento", tentando impor-se a outra região, correndo o risco de fracasso e de maior despesa pública sem o devido retorno económico e social.

Na verdade, nesta actual conjuntura económica, a Beira Interior que tanto foi fustigada em cortes de serviços e falta de investimento, os distritos ou concelhos aí localizados, têm que pensar de forma conjunta, ou seja, criar sinergias na prol do desenvolvimento local de uma região. Afirmando-se nacionalmente, como região de qualidade e oferta de serviços e/ou produtos, podendo, assim, projectar-se a nível europeu.

A Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro, que aprova, entre outros, o estatuto das comunidades intermunicipais (CIM), institui, na região da Beira Interior, uma nova CIM, a da Beira e Serra da Estrela, englobando concelhos 15 concelhos, 3 do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão) e 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Manteigas, Meda, Pinhel, Sabugal, Trancoso).

Soube-se, agora, que quem irá presidir, durante 2 anos, à CIM Beira e Serra da Estrela será o edil da Covilhã, passando nos últimos dois anos, do mandato autárquico, a ser presidida pelo edil do Fundão, ficando a sede na Guarda.

Embora a nova CIM englobe um vasto território e represente uma população na ordem 236.000 habitantes, poderá haver oportunidade para se começar a discutir sinergias e estratégias que permitam que este novo território se afirme no panorama nacional, aproveitando os diversos recursos de cada concelho, exigindo o que é de direito.

No mesmo sentido, de criar sinergias, aproveitar recursos, começa-se a discutir a união entre a Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico da Guarda.

Na minha perspectiva, esta discussão poderá ser mais um motivo para ajudar ao desenvolvimento local da região. Pensar de forma conjunta, sem duplicar recursos e despesas, poderá ser possível atingir um caminho mais eficiente.

A união entre as duas instituições de ensino não é consensual, contudo, temos assistido a esvaziamento de alunos em ambas, uma replicação de cursos que em nada contribui para afirmação da qualidade de ensino na região. Sou defensor que os politécnicos deverão voltar para o que estavam vocacionados, tal como as universidades. Os primeiros formar técnicos altamente especializados, e os segundos produzindo ciência, concentrando-se na investigação, na produção de inovação.

Assim, por este prisma, juntar as duas entidades de ensino é uma boa estratégia, é ter recursos eficientes, é especializar cada uma dela, criando um produto que desde o início até ao fim, ou seja, criar inovação (ciência) e formar profissionais especializados, contribuindo com os seus conhecimentos para o desenvolvimento de empresas e da região.

Até ao próximo post!

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