domingo, 20 de julho de 2014

Mais Encargos... Para a Guarda.

Em "Comunicar..." referi a importância do dom da comunicação. Sem grande pragmatismo, tentei abordar que ter o dom da oratória serveria para disfarçar o mal, transformando-o em algo de bom. Os exemplos na Guarda vão sendo comuns, principalmente, no que se refere à situação financeira da autarquia.

Foi aprovado, em sessão extraordinária da Assembleia Municipal, mais um empréstimo de vários milhões com vista ao saneamento financeiro da autarquia. São treze milhões de euros que irão transformar dívida de curto prazo em médio e longo prazo, financiados por duas entidades bancárias.

De um lado, em contra posição à decisão do executivo, argumenta-se uma verdade de La Palisse referindo que a autarquia vai ficar mais endividada. Quase dá vontade para dizer: dahhhh... Argumento que deu a oportunidade ao presidente do executivo brilhar na sua retórica, afirmando que iria injectar dinheiro na economia local. A transformação que referi, anteriormente, ocorreu!

Reporto-me, agora, ao PAEL, um programa de apoio instituido pelo Governo dando a oportunidade, através de empréstimo, de sanear dívidas das autarquias, apoiando, desta forma, a economia local. A entrega de verbas foi feita com cerimónias de "pompa e circunstância". A questão reside, sem que se questione a legitimidade e o direito de os credores receberem o que tinham em crédito, qual foi o nível de estímulo para a nossa economia local? Não me apercebi de grandes transformações, de grandes investimentos que originassem emprego e animassem a economia local.

Neste novo empréstimo haverá consequências, como em todos, arrastará mais encargos para as famílias locais, através do aumento da taxa do IMI, de diversas taxas municipais, da redução de recursos humanos da autarquia e a da qualidade da prestação de serviços, por corte obrigatório em diversos custos. Assim a legislação obriga. Este é o lado negativo do empréstimo.

Quanto a injectar dinheiro na economia local, mesmo sem saber o que refere o estudo prévio para contratação do empréstimo (se é que refere alguma coisa), seguindo o resultado do PAEL, continuo a duvidar, seriamente, que traga consequências positivas para o desenvolvimento e estímulo da economia.

Contando com a situação económica das famílias e do nível de desemprego, tendo também em consideração o nível de consumo e a respectiva necessidade de produção, dúvido que as empresas irão ter a necessidade de reinvestir essas verbas devidas originando mais emprego na região. Assim, a justificação de injectar dinheiro na economia local cai por terra, resultando somente em mais encargos para a autarquia e para as famílias da Guarda, projectando responsabilidades actuais para o futuro. Mas acredito que irão desafogar, financeiramente, algumas empresas, não as lançando na espiral da falência e do desemprego.

A verdade é que quando é para onerar as famílias, ainda mais, recorre-se à desculpa do passado, mas o certo é que as decisões para mais encargos ocorrem no presente.

Até um próximo post!

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