quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Cidade que Não Sabia que Não Tinha Foral, Nem os 818 Anos de História

Autoria da foto: Isabel Laginhas (6 anos)

Durante 4 anos, os Guardenses andaram a ouvir que a cidade, o concelho, teria renascido ou estaria a renascer. Partiu-se do princípio que tinha morrido e, agora, durante estes 4 anos, tal e qual uma Fénix, a Guarda reapareceria das cinzas. Durante 4 anos vários espaços foram deixados à sua sorte, para mais tarde justificar uma reestruturação (ou (re)requalificação), obrigando, como é de praxe autárquica, à imposição da placa com a identificação do reinaugurador. Para quem não trouxe ideias de renascimento, que somente foi copiando algumas de outros municípios, tenta, assim, ficar na história do concelho, que agora se veio a descobrir não ter mais do que 4 anos de existência (afinal não foi D. Sancho a atribuir o foral de cidade à Guarda).


O semanário local “O Interior”, na sua edição de 27 de Julho de 2017, lança o aviso sobre “degradação ameaça Parque Urbano e Quinta da Maúnça”, alertando para o mau estado destes dois equipamentos, que em outros tempos, os tempos em que a Guarda não existiu, foram equipamentos de referência do concelho.

O estado de manutenção do Parque Urbano do Rio Diz (PURD) está à vista de todos. Relva seca, lago poluído, caminhos degradados, etc. A requalificação que se começou a impor foi, para espanto dos muitos utilizadores desse equipamento de lazer, o alcatrão em diversos caminhos. Antes de a Guarda existir, portanto, antes deste últimos quatro anos, maior parte dos habitantes do concelho da Guarda saudava a existência de tal equipamento, reconhecendo a sua mais-valia no lazer, desporto e cultura.

Agora, após quatro anos de uma reestruturação, que muitos ainda não compreenderam, lamentam o estado a que o PURD chegou.  A poluição do lago, que alcança níveis nunca vistos, foi justificada como um problema estrutural, na tentativa de dizer que agora se descobriu a pólvora (mais um facto que afinal estava erradamente atribuído aos chineses). O problema sempre esteve identificado, a diferença de antes para agora é que periodicamente o lago ia sendo sujeito de intervenção.

Quanto à Quinta da Maúnça, que em tempo foi um equipamento de referência na educação ambiental dos alunos de pré-escolar e primeiro ciclo do concelho da Guarda, e não só, está, agora, ao abandono. Em tempos este equipamento, além da valência educacional, era composto por infra-estruturas que podiam fornecer de plantas, árvores e flores os restantes espaços verdes do concelho, nomeadamente, as rotundas. Agora, a opção foi deixar esse espaço degradar-se e optar por gastar verbas do orçamento do município em aquisição de serviços de jardinagem a empresas fora do concelho da Guarda.

Em tempos, na época que se pensava que a Guarda tinha foral, atrevi-me a sugerir ao executivo da altura em funções que a Quinta da Maúnça desse um passo em frente (não, não seria no sentido do precipício), ou seja, uma vez que estaria a funcionar muito bem a educação ambiental, então seria positivo para o concelho apresentar uma Quinta da Maúnça como uma estrutura de incubação de empresas do sector ambiental e agrícola, completada com um centro de estudos dedicado a essas questões. Se a aposta tivesse sido feita, muito provavelmente, hoje em dia, este concelho poderia afirmar-se como um baluarte da educação ambiental podendo dar mais um passo para a sua afirmação na qualidade do ar que se respira no Concelho.

Dizem que a Guarda renasce, não posso deixar de concordar com essa opinião, pois durante estes últimos quatro anos o Concelho foi-se definhando, tapando o sol com a peneira com festas, sem se centrar no essencial, obrigando, agora, às ditas (re)reestruturações e requalificações com direito a placa inaugurativa.

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