sábado, 18 de novembro de 2017

Acculturation

Essencialmente, a Web  Summit é um enorme evento tecnológico, sendo dada a oportunidade a empreendedores mostrarem as suas criações disruptivas, isto é, a sua startup, com o objectivo de conseguirem o exit.

Entre vários momentos importantes de networking e pitchs da Web Summit, o evento culminou num jantar fraterno entre vários great angel investors e os gurus do disruptivo, num momento de grande simbologia patriótica.

A tecnologia já não nos larga, muito menos robots que vieram para aliviar a nossa carga laboral e contribuírem para o nosso tempo livre de qualidade. Um país que queira ser considerado desenvolvido tem que apostar na inovação tecnológica e na respectiva formação dos seus cidadãos, por exemplo, como em Portugal, através da Industria 4.0. Não há como escapar!

Até aqui nada de extraordinário, não sejamos hipócritas, todos adoramos a tecnologia, usamos aparelhos que estão em constante inovação e agradecemos. Adoramos o phablets e as aplicações que nos facilitam a nossa produtividade e lazer, adoramos as boxes televisivas que nos permitem aceder a várias opções de entretenimento, até visitar um museu ou um panteão. A internet, quem consegue viver sem ela? Nem o Facebook, o Twitter, o Linkedin e outras redes sociais tecnológicas nos permitiam tal coisa.

Não venero a Web Summit, penso que o status quo social (não engloba o profissional) do indivíduo não dependerá, em grande medida, da visita a essa feira. Mas sei que é um evento de grande importância em termos de innovation e de entrepreneurship. No caso dos staterups, o êxito do seu exit dependerá em muito de conseguirem passar a mensagem, através de um pitch, a angels investors, e esses só os encontramos na Web Summit. Portanto, que continue a haver Web Summit em Lisboa, ou seja, em Portugal.

Em termos profissionais, a Web Summit não deixa de ter grande relevância. É um bom momento para adquirir know-how, fazer networking e mostar skills fundamentais para a nossa empregabilidade.

Mas tenho uma preocupação, que é pensarmos que tudo o que vem de fora, principalmente, em termos de inovação tecnológica e empreendedora, é que é bom. Acabamos por esquecer a nossa identidade, achamos que no mundo global somos provincianos, acabando por adoptar expressões "anglosaxónicas" com o receio de não sermos, suficientemente, inovadores. Ou seja, acabamos por aceitar a fusão com elementos culturais externos, aceitamos a aculturação da nossa identidade. Esquecemos que podemos marcar pontos e alavancar o país utilizando o que bom há em Portugal, as nossas características únicas incrementando inovação nacional, mas aceitamos, com facilidade, o que vem de fora.

É neste sentido que penso que o momento de networking no Panteão Nacional atingiu o ridículo, tanto mais, atendendo ao descrito na webpage da Direcção Geral do Património que os “[...] museus e os monumentos são lugares únicos que nos proporcionam experiências memoráveis e uma aprendizagem indispensável à formação da identidade.” Ou seja, ainda segundo a mesma webpage “[…]são espaços que transmitem valores e despertam memórias […].” Penso que o referido evento não despertou qualquer memória, nem tão pouco transmitiu valores e em nada tem haver com tecnologia, inovação e empreendedorismo

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