sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

[Guarda _ In the Year of Our Lord 2017] [Smart as City?]


Veio para a ordem do dia, na cidade da Guarda, as Smart Cities.


Embora a temática Smart Cities seja falada há muito tempo por esse mundo fora, por cá só agora entra na ordem do dia, como uma ambição se tratasse e/ou de algo que a região está a ser pioneira. Na verdade, o evento que assinalou a introdução da temática vem com uma década de atraso.

Uma Smart City (Cidade Inteligente), explicado de uma forma muito simples, utiliza as tecnologias da informação e comunicação com o intuito de promover a competitividade económica, a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida dos cidadãos.

Da variada literatura consultada sobre o tema, pode-se referir que uma Smart City tem como pilares: governação; energia; mobilidade; edifícios; gestão da água; gestão de resíduos; segurança; saúde; cultura. Isto implica a análise e integração de dados e informação de diversas fontes como suporte, por exemplo, à antecipação de problemas, visando a sua resolução rápida e eficaz e a minimização dos impactos negativos sobre a cidade.

Na verdade, as mudanças tecnológicas e a globalização trouxeram (mais uma vez, estamos bem atrasados) desafios às cidades em combinar a competitividade com o desenvolvimento urbano sustentável. Há cidades que cedo se aperceberam do desafio e estão a implementar processos de acordo com as especificidades territoriais e a criarem projectos urbanos inteligentes que criam um ecosistema atractivo à inovação, empreendedorismo, desenvolvimento urbano e sustentabilidade ambiental. Por exemplo, a cidade de Masdar (Dubai) tem o objectivo de ter zero de emissão de carbono.

O passo para uma Smart City não é algo de extraordinário, é um passo necessário e natural para o desenvolvimento do concelho. É um passo que deveria ter sido dado há uma década atrás. Agora parece extraordinário porque está tudo por fazer, tudo!

Em termos de governação, de acordo com o Índice de Transparência Municipal, ainda há muito para fazer. Na verdade, sendo a governação um dos pilares das Smart Cities, é necessário haver coragem política para incentivar a participação dos cidadãos no processo de definição de políticas públicas e na tomada de decisão sobre a vida urbana, que é apelidado de inteligência colectiva. Mas isto só acontecerá quando a entidade que gere os destinos do concelho decida criar ferramentas de informação transparentes e para todos os cidadãos.

Outro exemplo, a mobilidade, é caso para dizer que nem ata, nem desata... É uma das dores de cabeça do concelho. Não é com este sistema de transportes urbanos que podemos caminhar para uma Cidade Inteligente, nem sequer existe uma rede de transportes eficiente.

Para terminar, o exemplo mais óbvio e que é central às Smart Cities, a tecnologia. O concelho não é atractivo em termos tecnológicos, ou seja, neste momento haveria muita tecnologia que teria que ser adquirida (transferência de conhecimento) fora deste concelho, produzida por outros concelhos, por exemplo, a Covilhã. É necessário haver uma parceria operativa entre a entidade que gere os destinos do concelho e a entidade de ensino superior cá instalada. Não se pode só se centrar em atrair alunos estrangeiros, será necessário que se comece a produzir tecnologia que permita alavancar o concelho e a região em termos tecnológicos. Tecnologia de apoio aos pilares de uma Smart City. A partir daqui começamos a fazer a diferença e, eventualmente, a vermos os jovens a retornar à sua cidade/concelho da Guarda e outros a optarem (porque é uma escolha com válida) estudarem na cidade.

English version [Aqui]

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