Isolamento


Mesmo que te ouça
Não te vou sentir
Por aqui não passa nada
Não se fala nada

Tenho um deserto em mim
De desassossego. 
E num ápice, assim
Fiquei sem missão para executar
E caminhos para andar

Invejo o céu azul
Os verdes campos. 
De tudo o que posso fazer
É aqui estar, tentar ser

Ainda não perdi a voz
Mas estou em espaço mudo
Nem estou surdo
Mas o silêncio é atroz 

Assim fico
Inquieto 
Com retratos no infinito


Aos teus Olhos



Aos teus olhos
Serei uma árvore
Estejam eles abertos ou cerrados
Serei sempre uma árvore

De movimento involuntário
Enraizado num só espaço
No Outono 
Entristeço
Na Primavera
Engrandeço

Serei sempre uma árvore

Perdido no tempo a utilidade
Acentuada a futilidade

Não serei mais que uma árvore
Ali, só 
Mesmo que revigore
Aos teus olhos
Serei uma árvore tão só

Autobiografia... A Chuva



Há algo sobre mim que agora vais conhecer.
- Adoro estar no alpendre ver a chuva cair. 
Em silêncio, emergir no som da gota a descer, 
com um cigarro, um chá quente, deixar-me abstrair

Adoro olhar as árvores a saciar a sede, 
a reter cada pingo nos seus braços. 
Adoro ver a terra que humedecer, 
alimentando as plantas, regando todos os seus espaços

E se for na Primavera?
Cada pingo a cair na terra verdejante
Aquele aroma húmido, refrescante,
a cada pingo que de esperança aglomera

Sentes este meu enlevo?
Se estiveres ao meu lado ainda melhor. 
Mais eu sinto a esperança do momento, 
a partilha do que sinto, a alegria do evento. 
Não serei um só, serei algo maior. 

Nasci de Madrugada - Chamaram-me Liberdade

Nasci de madrugada e à alvorada, manhã de Sol por mim apaixonada, recebo um abraço encantado Nessa manhã que já cantava e dançava Ofereceram...