sexta-feira, 22 de maio de 2026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

domingo, 17 de maio de 2026

Pedras Envelhecidas



Existem pedras no caminho
Calçado, para os pés não calejarem
Com flores e verde ervas a decorar

Sem transgredirem com o meu caminhar
Espaços dramaticamente arrumados
Conduzindo a cantos e recantos
A locais de espanto

Guardadoras de amores e dissabores
De agora e de outros no além
Contadoras de turras e aventuras
Vitórias e derrotas de conquistas

As pedra novas, agora colocadas
São silenciosas
Faltam-lhes tempo para admirar
Quem distraído passa a correr
Para a vida organizar

São as pedras urbanas
Convencidas eruditas
Insensíveis a um abraço, um beijo
E a um amor abandonado

Resta só quem as esmagam

Eu quero pedras envelhecidas
Mais interessadas e sabidas

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Entardecer o Dia

Estou encostado à janela do meu quarto
Em vigília da tristeza
Tentando afugentar a descrença
Senti que pedaços do meu corpo cansado
Foram dilacerados em peças
Primeiro, levaram-me os músculos
Depois os ossos
Deixaram o coração para
Arritmadamente, ir  sangrando
Nas lágrimas de tanto vigiar
Se o sorriso, a alegria de festejar
A liberdade
Esta que foi acorrentada 
Em cela de arame farpado
Sim, idealizei a morte
Para a poder resgatar e
Devolvê-la à vida anterior
Mas, de soslaio, foram construindo um muro
Senti, sem hesitar, esta separação
Solidificada na saudade e desejo
De voltar, na rua, a caminhar 

Pedaço do Meu Mundo

Três pinheiros
Num monte pequenino
Sozinhos
E consome-me a calma
Com calor do azul dourado espaço
Sozinho
O dia inicia
Com o voo de uma águia
Asas largas
Aladas
Sozinha
Sem caruncho
Da poeira urbana
Da multidão
Que socorre o tempo perdido
Num carro
A receita é simples
Um monte, três pinheiros, o Sol, a águia
Foi todo o mundo
Num só pedaço
Como um quente abraço

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Epopeia de Prazer



Se todos os dias anotasse em escrita
As ideias que em mim vivem
Das que contam epopeias de prazer
Teria já uma biblioteca repleta de versos
Nenhum meu, todos teus

terça-feira, 12 de maio de 2026

Petulante Cupido


Pensei em vir a ser um vigilante
De arco e flecha
De capuz negro, talvez um romântico
Se fosse… Não seria como o petulante Cupido
Um menino alado, mal comportado
Braços pequeninos, de má pontaria
Júpiter tinha razão
Cupido só iria trazer problemas
Desperta amor ou paixão, mas sem saber em quem
Agora, desejo eu vigiá-lo
E um dia vou fazê-lo apaixonar
Mas com a segunda flecha escondida
Que vai ver como voa para os braços De novo, de Vénus
Atrevido seu menino pequenino
Com essa tua flecha, de pontaria incerta
Nem no amor uma flecha acertas

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Versos de Ouro e Pó

Imagem gerada por IA generativa Adobe FireFly


Ó Deus que te enxortei
Em cântico de penar
Para a dor tentar atenuar
Enquanto só caminho

Um música que ouço
Livre no ruído da cidade
Recorda-me de quando fui moço
E em tudo ouvia uma só verdade

Recorro a ti alma celestial
Durante o caminho por mim a amainar
Sem me dar conta que ser de novo jovial
É como árvore que seca sem abanar

Deixei de rezar mas não por fraco credo
Entrar e adorar tectos e adornados santos
Em talha de ouro talhados a sofrido dedo
Só me visita dor em pensar nos dourados ritos

Escrevi dois líricos poemas a bocejar
Um sobre Tua filha que tanto adorais
Outro sobre Teu filho que dizeis amar
Mas que os tornaste venerados mortais

Diz a Santa Sé
Penosa da sua fé
Que as palavras não adornam 
E eu a pensar que eram só versos que de mim vazaram

Simples, Sem Demais

Não quero ouvir
Não quero olhar
E diluir mais a vontade de querer fugir
Ou querer ficar e deixar-me estar
Neste só destino
Como se um rio não desaguasse no mar
Por não saber nadar

Não quero o verbo
Atormentar
Nem gritar com desejo o concretizar
Basta de flores plastificadas 
Perdendo a cor desde a alvorada

Por hoje, por amanhã
E por depois também
Só um tempo para descansar
E os verdes saudosos campos observar
As perdizes, os coelhos e outros animais a saltitarem
Sem ser a Terra a rodopiar

Cada árvore de raiz plantada
Sóbria mantendo-se em pé
Acompanhada pelos pássaros que passam
Dem ser o vento a empurrar

Simples, sem demais
Quero isto e basta!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caracol de Corninhos ao Sol

Registo fotográfico obtido numa rua de Coimbra


Há caracóis?
Há!
Grita o Albertino a cantar
Foram criados em campos
De lindos girassóis
Sem pressa
Com o Sol a comandar
Para onde devem virar
E o caracol
Bicho tão apreciado
no seu lento caminhar
Sem pressa, nem instante
Em querer desertar

Poema em Destaque

Lendo Miguel Torga

Por tão pouco Adormeci abraçado a ti Por frio que sentia e o medo resistia

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