domingo, 14 de junho de 2026

Só Pedra... Sob Pedra


Pedra sob pedra desmoronando
De então laborioso e sapiente tempo
Estas debilitadas e perniciosas paredes
Prometeram-lhe utilidade
Depois de uma tempestade
Agora em sua pobreza extrema
Talvez ai cantem ou chorem demónios ou anjos
Que consumem a sua tez
Esquelética, esbranquiçada e cansada
Vai chorando, em cada pedra esforçada
Por desejo, em querer ser
Palco de fulgor e mais uma vez admirado.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ao Contrário

Nas noites de Inverno
Choradas por um frio sentido
A persiana do quarto não a encerrava
Não me escondia da chuva ou ameaça de neve
E olhava, sem o arrepio de estar na rua
Janelas e luzes das casas encerradas
Tudo sereno, pela madrugada adentro
Agora já não adormeço sonhando
Encerro a persiana, escondo a curiosidade
Deixo a janela aberta para o vento
Se tiver ainda alento, durante a noite
Em me vir saudar
Deixei de mirar as outras casas
Encerrei-me na cápsula sem tempo
Para imaginar
Quanto têm os outros para contar
Em tempo, o desejo de sonhar

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