O Candidato Eleitoral



Onde vive foram mil
E dali ao lado outros tantos hão-de vir
Estas estradas são para se fazer
e novas pontes construir
Não pode faltar o abraço
ou um copo escarrapichado
No aperto que todos contam
Não quer ficar isolado
Dá mais um passo
e mais um abraço
Uma conversa convencida
e depois uma palestra
de vivas enaltecida
Assim vai caminhando
Invicto que vai ganhar
depois de todos contactar
O lugar de senado
Ficando o resto do tempo descansado

Breve Carta de Despedida

Photo by Ak Ka on Unsplash


Estou aqui, a olhar a terra
- É tudo isto que tenho para amanhar.
Entretanto, deixo-me levar
pelo som do chilrear
na companhia de uma suave brisa.

Toda esta terra vai ser trabalhada
por mim, mas agora já não,
que já estou a viajar,
levado pela brisa, eis-me a pairar.

Algum dia tinha que ser.
Deixo por cá quem me quis entender
e um dia, esta suave brisa,
neste Novembro que amanhã faz chover
Vai-te envolver.

E também tu farás esta viagem.
Mas não é preciso vires já.
Ainda tens terra para amanhar
e alguém vai ter que a trabalhar.

- Vá, pega na enxada!
Esta terra sozinha não fica cavada,
tens as batatas, as cebolas e as favas
- Porra! Leva o rego a direito.

- É assim mesmo.
Tudo o que semeares vai nascer,
alimentarás a tua família
como eu sempre fiz.

Por agora é tudo.
Sempre que esta terra pisares
vais-me sempre encontrar.

Noutro Tempo

Photo by Jr Korpa on Unsplash


São noites,
às vezes, umas atrás de outras
que sonho contigo,
em dias de outros tempos, 
o fulgor de momentos.

Em outros tempos que pouco viaja,
bastava o encanto do horizonte
que a minha vista alcançava.

O sonho ali ficava
na certeza da tua presença, 
limpo e calmo
como se fosse desenhado a esquadro.

Foi em outros tempos
que agora são memórias
em visita nos meus sonhos,
que infligem importunar
o caminho que tenho para andar.

São noites,
na certeza de novos dias,
mas sem nunca esquecer
que outros tempos
são agora novos tempos de viver. 

Alius

Picture by Sophia Wild,  Resiliência entre Mundos


Caiu!
E caído ali ficou.
O Alius, tão só,
no meio da multidão,
caído, pobre
Objecto descartado
no meio de tantos nós.

E queremos nós lá saber!

Não é nosso pai, filho ou irmão
E ali está, caído, só!

Corpo supérfluo,
mutilado, pisado
e no meio da multidão
desses que o rodeamos
não nos sacrificamos,
não o ajudamos, deixámo-lo
caído, só!

E se um dia assim cairmos?
Será que nos lembramos 
do Alius caído, só!

Cada Verso que Escrevo



Cada linha em verso
por mim outorgado
é vazio de endereço, 
não tem dia
nem hora. 
É espanto de momento, 
sem bela melodia, 
engana a preguiça 
de vaidade controversa. 
Não conta história 
ou aventura, 
mas é algo artolas. 
Disfarça a luxúria 
em suave sentimento. 
Não tem arte, 
Nem constrangimento. 
É verso banal
de paixão e desgosto. 
Não é moral. 
É algo sepulcral. 
É assim tão só, 
simples, natural. 

Carvão



Mexer no carvão
faz-me perder a claridade, 
a limpeza da minha mão. 
É como alma amanhecida
que um dia, em Inverno, 
Ficou triste, escurecida

Por mais palavras que desenhe
ou rimas procure, 
a tormenta mais acentua
em comoção aflitiva
na expectativa impaciente
de procurar a torneira
e enxaguar a mão do negro ambiente. 

É como a alma lavar, 
em despertar de sentidos, 
de nova aventura
e esperança na palavra conjugar. 

Aldeia Inveja

Photo by Andrew Medhat on Unsplash


Povoada de pedras, rocha e monte
de vale produtor abundante
Rasgada por rio de efeito calmante
Aqui a vida não corre de tão curto horizonte

Vigiada por almas de ser opaco
De negro verborreiam no nosso meio
Aguarda o aclamado visceral declínio
De quem se atreve a melhorar o destino

Sem alterar banalidade de rotina vã
Não há quem viva, há só quem assista
Pasmado, parado, a coberto da vista
Por prazeres alheios, para depois conversar no divã

Povoada de tão pouca ambição própria
Inveja o verde abundante
Do vale tolhido e trabalhado de gente pujante
Como aves negras que bicam alheia euforia

Com pedras e rochas não constroem
Escolhem um alvo e destroem
 

Tremer... Ver-te

Photo by Sven Mieke on Unsplash


É esse teu olhar em ocaso de encontro
que provoca forte vibrar no coração
embriaga a voz que a faz engasgar
e provoca um aceso forte tremor

Esta é a realidade que atormenta.

Será mais simples ver-te em sonho
e ser como herói de capa esvoaçante
controlar o meu olhar

O sonho é que acalenta.

Embora seja realidade efémera
até ao despertador renuncio
Só para ficar a sonhar
Nesse encontro de desejo arrebatador 

A Palavra, tão importante, tão forte

Autoria: Isabel, 11 anos


O que é que assusta na palavra?
Que silencia nossa gente,
com medo da ira
bloqueia toda a mente.

Haverá palavra temida,
que afugenta a espontaneidade,
a autenticidade da personalidade
que faça toda a ideia detida?

Terá a palavra a força de cajado,
na razão de um primado
que nega a liberdade,
ceifa a nossa vontade?

Nunca será demais questionar
A razão desta falsa castidade
com fraco esforço quer acabar
a nossa, tão cara, integridade.

A palavra, agora e sempre
deve ser candeia de liberdade
em estar à frente
para soltar a nossa mente.

Manhã de Domingo

Photo by David Mao on Unsplash


Existem manhãs serenas
Gratificantes
Maravilhosas
São as manhãs de Domingo
Sossegadas
Como rio em manhã de Primavera
Que aguardam,
Com ternura
Um doce suave beijo
Sem pressa de uma saída
Como num vale florido
Ver,
Ouvir,
Sentir o pulsar da carícia
Espontânea,
Inspirada
em Aurora e Vénus
De despertar
Intensos desejos

A Muralha... Minha

Photo by Yoal Desurmont on Unsplash


Habito em lugar amuralhado
Velho, antigo, conservado,
de futuro marcado a lento passo,
com ruas e vielas de pouco espaço

Em montras manequins de madeira
de expressão solene reticente
Não falam e nada têm em mente,
há espera de que abram a algibeira

Carreiros feitos de isento arraial
sem atrever de agredir o silêncio
na magnânima esfinge divinal
em receio lampeiro para não acender pavio

Lugar imaleável, isolado
de quem esqueceu que corre o rio
e avistar o que vai além do compadrio
se fixa em café de paleio melado

É lugar curto e amuralhado
com tanto sentimento apertado
Este espaço gravado de granito
onde eu habito

Sem Musa... Não sou Poeta!

Photo by Noah Silliman on Unsplash


Eis-me aqui
Assim
Sim, sentado
Neste canto,
parado
sem encanto.
Presumido em poeta
Nem criatividade tenho
e de pouca etiqueta,
a arte não obtenho.

Desespero, em fogo
sentido!
À espera de diálogo
para resolver
o que arde em mim
por musa não ter.

Sem encanto,
sou acanhado
sem sucesso.
Em espiral infinita,
onde tudo reinicia.
O receio
de nova fantasia.
Como tal,
acção não tenho
musa não procuro.
Retenho
o silêncio sepulcral.
Seguro,
no conforto,
sem risco,
longe de ti, absorto.

O Prazer de Dois Corpos

Photo by Richard Jaimes on Unsplash

 
As palavras mudas de gemidos soltos
ecoam no silêncio da noite
num quarto aquecido de dois corpos
em cumplicidade do mágico toque

Dois corpos, um desejo, um beijo
O toque transformado em gemido
Olhar lascivo, em silêncio tremido
Soltam o aprisionado desejo

Um perfume de colónia sensual corporal
inebria os sentidos de dois corpos
explorados num toque floral

Não é preciso mais que um beijo,
um silêncio
O comprometido desejo  

Um Amante... Na Cidade

Paint by Isabel (11 years)


Há um novo amante na cidade
Pessoa sem rosto, uma divindade
Corpo de sedução dormente,
que sonha e ama permanentemente

É caminhante errante,
distinto no meio de tanta gente

Vive momentos de ardor
o amante que não apressa o ritmo,
nem se assusta com o caminho
Não anseia pela paixão sem amor

Sabe que não está sozinho
Cada olhar é o toque de Midas
É a ternura de um suave dia
e uma noite de ardente carinho

O amante na cidade tem o seu mundo
Ninguém o vê, mas todos o sentem
Tal pessoa de sentimento fecundo



Onde me Deito

Photo by Hans Eiskonen on Unsplash


Fica frio este espaço sem luz,
como qualquer outra noite anterior
Nem um abraço de um cobertor
aquece a tamanha ausência ou seduz

Neste leito que me deito:
Imenso, frio e sombrio
É pedra granítica de relevo imperfeito
tão diferente do aconchego tecido a fio

A noite torna-se conversadora e inquieta,
mas não aconselha, nem alerta
Fico parado neste leito de desassossego
A aguardar o abraço de aconchego

[Quero] Escrever [E] Não [Sei]

Photo by Marcos Paulo Prado on Unsplash


Quero escrever e não consigo
Não sai uma palavra, nem símbolo
Sinto-me tão apertado neste labirinto
Com caneta e papel à minha frente
mas não penso e nem faço rabisco

A saída deve existir algures
E a única coisa que encontro é um espelho
Que me prende num reflexo estonteante

Não sei se será medo ou vontade de esconder
ausentar do do reflexo e começar a escrever

Se estou vivo, existo, porque insisto na ilusão,
no colorido momento de inspiração?
Porque quero escrever e não consigo
Não sai uma palavra ou símbolo,
Nem desejo de ter amor comigo

É sombrio e frio este reflexo de vidro
Frágil mas intenso e imenso no vício
Que aperta todo o meu ser
me impede de criar e escrever

Talvez agora possa não ter
Aguardarei para recuperar a força
Voltar a ter a ilusão e escrever

Nasci de Madrugada - Chamaram-me Liberdade

Nasci de madrugada e à alvorada, manhã de Sol por mim apaixonada, recebo um abraço encantado Nessa manhã que já cantava e dançava Ofereceram...