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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Digam-me para sorrir©

Auto-retrato


Digam-me para sorrir
Sem contarem história de encantar
Ou anedota que me faça rir
Sem uma palhaçada ou careta emaranhada
Que disso canso-me todos os dias
Em casa, no trabalho ou a caminhar

E nem se atrevam a dizer que é difícil
Não sorrir

Sem o encanto de um abraço
O doce de um longo beijo
Ou o calor de duas mãos entrelaçadas
Sem uma conversa a dois
Sem uma música que me faça dançar

Assim não é tarefa fácil, pois não?
Mas não chorem agora vocês, senão

Tenho que vos contar uma história de encantar
Uma anedota para se rirem
Ou uma palhaçada com careta emaranhada

E como disse
Disso canso-me todos os dias.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Um Café, Na Esplanada



Era só um café, naquela manhã.
Nem frio, nem calor,
era a Primavera nesse dia
trazida pelo suave canto da cotovia.
Se fosse algo mais, ele não teria ido, 
este convite não teria existido.
Há tantos recantos onde se podia refugiar
sem ter que lhe dizer:
"Tão bom que é te amar".
Era só um café, distraído
por um cigarro e riso inquieto,
não mais do que isso, que isso bastava.
Foi nisso que se convenceu,
que a razão ditava:
o forçado sossego artificial.
Essa manhã, só por breve instante, olhar,
que era só contemplar o sorriso,
dela a felicidade em voo de liberdade.
Para ele, percurso penoso, aflito,
feito num instante
empurrado pelo coração:
"Se for já, é só um café, e não me prendo em ilusão".
Dois beijos e um olá, tão fácil que ia ser.
Acender um cigarro: "Tudo bem? Que bom te ver".
Depois? Seria só estar.
E o sorriso dela, a luz naquela Primavera,
acabou por confessar:
"Até um dia, adeus".

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