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Dançava

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Foto de Nihal Demirci Erenay na Unsplash Pensei em te estender a mão e convidar-te a um abraço enquanto caminhávamos em passo lento  No entretanto distraí-me na doce melodia que me encantava nesses acordes já não era só um abraço era mais Eu contigo dançava ao ritmo da valsa do teu manear sem ser esse teu jeito atrevido mas muito sensual acompanhado por cada palavra por ti recitada eu dançava Contigo dançava soltava-me de meus passo trôpegos do meu jeito sem ritmo em que as pernas me prendem e os braços gesticulam movimentos envergonhados Era isto que eu sonhava enquanto pela rua caminhávamos segurar tua anca e tua mão enquanto me absorvia, radiante no teu sorriso em cada verso teu que me enfeitiça A rua só para nós e se dançava sob a chuva ou no calor que nada mais é do que provocador sentir-me a arrepiar da tua carícia em me abraçar dançava e dançava e dançava

Linhas de Desejo©

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Foto: Nuno Laginhas© Tantas linhas que se cruzam entre nossas mãos, nossos corpos que definem contornos descrevem o toque da seda do fôlego suado, extasiado A silhueta contornada em linhas distintas do dia para a noite umas vezes repousam sobre a tela lentas no desejo com vontade de provocar outras são pinceladas com energia descontroladas pelo prazer, irrequietas Linhas a tinta de óleo cheias de brilho, com mestria longe de serem decalcadas de tão originais que são Linhas entrelaçadas, convictas com cores de Verão, alegres são linhas de pintura de uma paixão

Não me provoques o silêncio

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Arde-me o coração com o desespero                                      de te escrever E fui silenciado desse desejo                                    de te satisfazer Si-lên-cio! Desses lábios que sussurram                         virginal prazer tão bem definidos, encerrados sem sorriso Si-lên-cio?    Se são a minha perdição de tão lindos que eles são Ou escondes desejo carnal? desse abafado silêncio desvendado pelo arfar do teu peito Si-lên-cio! É grito de desejo de nós aqui encerrados                        do nosso amor insatisfeito Escorrem-nos gotas de luxúria e queres silêncio? E eu quero libertar a nossa fúria.  (todos os direitos reservados - Nuno Laginhas)

Sexta-feira Sem...

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As sextas-feiras são serenas Silenciosas Depois das dezoito horas Ao contrário dos astronauras da folia e bebida  Depois das dezoito sossego Encubro todos os meus desejos sob mantas Na penumbra de um sonho paro o tempo  Descrevo-te, de novo  lembrado do quente aconchego  A minha máquina do tempo Regresso, corrijo, avanço  Ver as árvores a florirem as folhas a caírem  Alcançar  A nossa esplanada de novo livre Só para nós. 

Cartas de Amor

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Photo by Ire Photocreative on Unsplash Nem que seja amarrotado ou queimado o intento de amar e de o querer afirmar fica mesmo assim o desabafo em folha registado Disfarçado do medo de falar e protegido do ouvir E mesmo que se perca nos ermos montes da vida as cartas de amor são escritas guiadas por quem reside no coração do remetente que dita as palavras tão sentidas Palavras que despertam o doce em mil sabores ou num amargo salgado de uma futura dor E disso somos, agora, tão cautelosos preocupados com tanta hipertensão que abandonamos de vez, receosos de escrever a elegante carta de amor

Noite de Verão

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Deito-me, envolto pela tormenta do lençol como ondas que voltam e revoltam não param Estas noites de Verão na fornalha do Inferno  E... Provavelmente mereço! Despertar a arder sem ser este o meu sofrer Entre o pânico de procurar o ar Perguntar  Porque foste, assim tão breve? Sem aguardar Agora que os Demónios e Arcanjos bailam Juntos!  que o Céu e o Inferno se uniram As confidências já não são segredo perdidas no esperneio de voltas e mil voltas Que nesta tormenta de calor já não mais posso perguntar  Porque te foste!

Enchanté (de toi)

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Photo by Natalia Sobolivska on Unsplash Encantado Já estive aí Quando sorriste para mim Encanta-me outra vez (só desta vez) Para voltar a sonhar Encanta-me Que mais nada tenho Senão só o teu sorriso Encanta-me (teu encanto tão genuíno) Que me faz perder o meu sentido E ser encantado Não é ser iludido Como se isso fosse possível nesse teu autêntico jeito Encanta-me (só desta vez - sorri mais uma vez para mim) Só mais uma vez

Digo-te o Adeus que não Quero

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Distraí-me quando sorriste Perdi-me no teu jeito meigo Nas melodias das tuas aventuras  E depois de sossegar o entusiasmo  Fui dominado, sem eu querer, pelo silêncio  Fechado, só, na esquadria da esplanada  E tudo o que queria era a ti Entre uma aventura ou um só passeio Perdi-me No meu desejo altaneiro  Entre estradas e caminhos  Todas as curvas e contra curvas  Nos cruzamentos das ruas Dos encontros aos desencontros  Dos segundos que ficaram dias Nesta esplanada fechada Deixei-te ir Em meu envergonhado sorrir Aos teus lugares distantes Para tu seres feliz. 

Soltar

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Quero descalçar-me! Tirar estes rudes sapatos (gastos) Livrar-me deste sufoco Libertar-me! Rasgar a camisa (de força) E refrescar-me! Logo de manhã pela fresca sentir nos pés a erva molhada a terra macia Soltar-me! Sem mais, sem olhar atrás e correr Descalço, despido da força de te amar (esta intensidade tão atada) Procurar novos destinos desatar os nós apertados libertar o coração no peito cingido E um dia voltar afirmando Agora, descalço, sou feliz!

Amor... Viver

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Photo by Matthew Henry on Unsplash O Amor Atrevido despudor Fantasia de nudez Embriagado Por Vénus e Baco É salteador Saltador Assaltador E o que mais pode acabar Em dor É campo despido Desprotegido Incerto e choroso Como dias de Abril É ougado Insaciado Com todo o início apressado É vento, ventania Que embala e abala Mas é o Amor! Destemido Sincero e nada arrependido E sem ele não sei viver.

Sonhar-te

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Photo by Benjamin Davies on Unsplash Permite-me estar Refrescar a mente Quando as noites são quentes Enquanto o corpo repousa Trazer o aconchego Da erva fresca sob a oliveira E sem imaginar Apontar Eis a constelação Que guarda e aguarda Todos os segredos Os encantos e desencantos Enquanto a mente refresca Se liberta Entre os ramos da oliveira E em mim sonhar-te Enquanto a noite ainda é quente E a mente não desaponta Acreditar Que cada estrela É o amor que não desvanece Nesta cama de erva fresca Encerrar os dias Elevá-los ao céu Para mais uma constelação surgir A intensidade Do teu corpo repousar Num sonho meu Sentir o teu calor Quando me tocaste E ao ouvido segredaste Desejo-te Então, permite-me... Sonhar-te

Um Beijo Lento

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Escultura de Auguste Rodin (1892) Dar um beijo um beijo lento com tempo o beijo que arrepia E mil beijos em ti exploradores quentes e lentos e o momento torna-se infinito Mil beijos não bastam no arrepio que reclama o toque a língua que desliza Sentir cada milímetro o teu relevo suado olhos fechados para descobrir Ouvir teus gemidos de calor dois corpos ajustados Abraçar afagar os cabelos escorridos teu corpo torcido Um grito um beijo lento e, por fim, o silêncio

Escrita a seu Tempo

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A escrita é lenta Demora o seu tempo Em encontrar entusiasmo Num fio de sentimento Outras vezes distrai-se No encanto Do ondular do mar Dos sonhos imensos Mas também é esquecida No pensamento  De um delicado abraço E de um sorriso teu

Um Café, Na Esplanada

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Era só um café, naquela manhã. Nem frio, nem calor, era a Primavera nesse dia trazida pelo suave canto da cotovia. Se fosse algo mais, ele não teria ido,  este convite não teria existido. Há tantos recantos onde se podia refugiar sem ter que lhe dizer: "Tão bom que é te amar". Era só um café, distraído por um cigarro e riso inquieto, não mais do que isso, que isso bastava. Foi nisso que se convenceu, que a razão ditava: o forçado sossego artificial. Essa manhã, só por breve instante, olhar, que era só contemplar o sorriso, dela a felicidade em voo de liberdade. Para ele, percurso penoso, aflito, feito num instante empurrado pelo coração: "Se for já, é só um café, e não me prendo em ilusão". Dois beijos e um olá, tão fácil que ia ser. Acender um cigarro: "Tudo bem? Que bom te ver". Depois? Seria só estar. E o sorriso dela, a luz naquela Primavera, acabou por confessar: "Até um dia, adeus".

Um Dia, Na Esplanada

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"Nunca mais te falarei!" Disse - ele - todo convencido em certeza fácil, entre um refresco e a sombra agradável numa esplanada à beira do rio. Parecia - a ele - um discurso ágil, adequado ao calor sentido e o momento inevitável, a facilidade dessas três palavras tão simples e imediatas da mensagem que não podiam resultar em engano. Estava - ele - convencido que tinha essa blindagem. Cedo apercebeu-se, a bebida aqueceu e a ausência, prematura, do calor, esse discurso ágil era mentira indesejada, arrastada, da esplanada, pelo rio em corrente. Quando - ele - da sua ausência se fez sentir e que a razão no engano o fez cair, nunca mais voltou à esplanada, nem a esse rio. Para evitar ouvir: "Nunca mais te falarei".

Maio

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Acordou radiosa esta sexta-feira Maio verde e florido Um coro de pássaros em canto de poesia Esta manhã verdadeira Não se esconde entre mantos Tocam os grilos a primaveril sinfonia Que um abraço é refresco para o dia E um beijo a minha alegria Invadem as ruas aromas dos jardins Dos verdes campos e afins Trazidos em toques de misteriosas brisas Da ausência que me faz delirar Um abraço, um beijo, o conforto da tua presença

Fardo

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Photo by Alexander Krivitskiy on Unsplash Se eu pudesse falar Dizer O que vai em mim Sem que seja pesado fardo Para ti Soltar esta vaidade De estar apaixonado Libertar Dessa morfina Da distância do sonho Mas que não seja fardo Para ti Carrego eu Só eu Auxiliado por um receio Todos os gritos De desejo Dizer Só para mim Acorrenta-me, em Mosteiro O silêncio O delírio da ilusão E eu combato Este exército miudinho Desde as entranhas Dominadas E não te tiro de mim Calado fico Para ti O fardo seja meu Porque assim eu quis 

Trepadeira

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Photo by OvalDreamX on Unsplash Trepadeira  que entrelaça numa confusão imperfeita trepa em vigorosidade apertada paredes, escaleiras e troncos chegando ao topo não se detém entrelaça novo destino esta trepadeira que entrelaça e de mim fez novo inquilino

O Búzio e o Mar

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Mais um dia Enumera-se até ao infinito O tempo inteiro da criação De um oceano de perder de vista A viagem que nunca mais termina  Mais um dia Em que os passos são nulos sem ideal Guardados no refúgio de um búzio Na imensidão do areal Protegido na sombra de uma arriba Mais um dia Em que as gaivotas se ouvem ao longe Numa algazarra de alegria  Entretidas pelo tanto alimento do oceano Distantes da árida arriba Mais um dia E já vão sendo muitos Que neste areal só esse búzio habitado Encostado na arriba isolado Solta as gotas salgadas desse oceano Mais um dia E não basta Em que as marés, ora perto, ora longe Não afagam o triste búzio Que em desespero de solidão  Imita o som hipnotizante do mar Na certeza que alguém o venha pegar. 

Agora... Só em Mim

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Vi, conheci, vivi Empoleirado, bem alto, convencido Passo largo, apressado, atabalhoado Instante, sentido, emotivo Por agora só, um momento, só Que salto, sobressalto, o espanto deste pranto Em travesseiro, atravessado, deitado Canto sem encanto, por enquanto é tanto Calado, abafado, a coberto de cobertor Encerrado, deitado de lado, que triste fado Aqui, sem ti, só em mim