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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Avesso na Hora

Imagem criada com a IA Gemini (Google), baseada no poema


Não sou a paz nem sou a guerra
Sou em anseio de ser
O dia a anoitecer
A noite mesclada no dia
A hora longa num quarto
Um quarto que não alcança a hora
Sou viajante sem lugar algum conhecer
Então vejo-te sem te ter
E para te ter tenho que saber ser
Aborrecido num quarto só
Na breve hora 
Tão curta como o quarto
Que me deixe falar sem palavras dizer
De amor com juras e juras de sorrir
Assim de noite 
Onde sobra mais que a hora
Essa hora num quarto
Sem paz sem guerra

domingo, 17 de maio de 2026

Pedras Envelhecidas



Existem pedras no caminho
Calçado, para os pés não calejarem
Com flores e verde ervas a decorar

Sem transgredirem com o meu caminhar
Espaços dramaticamente arrumados
Conduzindo a cantos e recantos
A locais de espanto

Guardadoras de amores e dissabores
De agora e de outros no além
Contadoras de turras e aventuras
Vitórias e derrotas de conquistas

As pedra novas, agora colocadas
São silenciosas
Faltam-lhes tempo para admirar
Quem distraído passa a correr
Para a vida organizar

São as pedras urbanas
Convencidas eruditas
Insensíveis a um abraço, um beijo
E a um amor abandonado

Resta só quem as esmagam

Eu quero pedras envelhecidas
Mais interessadas e sabidas

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Epopeia de Prazer



Se todos os dias anotasse em escrita
As ideias que em mim vivem
Das que contam epopeias de prazer
Teria já uma biblioteca repleta de versos
Nenhum meu, todos teus

terça-feira, 12 de maio de 2026

Petulante Cupido


Pensei em vir a ser um vigilante
De arco e flecha
De capuz negro, talvez um romântico
Se fosse… Não seria como o petulante Cupido
Um menino alado, mal comportado
Braços pequeninos, de má pontaria
Júpiter tinha razão
Cupido só iria trazer problemas
Desperta amor ou paixão, mas sem saber em quem
Agora, desejo eu vigiá-lo
E um dia vou fazê-lo apaixonar
Mas com a segunda flecha escondida
Que vai ver como voa para os braços De novo, de Vénus
Atrevido seu menino pequenino
Com essa tua flecha, de pontaria incerta
Nem no amor uma flecha acertas

sábado, 2 de março de 2024

Dançava


Foto de Nihal Demirci Erenay na Unsplash

Pensei em te estender a mão
e convidar-te
a um abraço
enquanto caminhávamos em passo lento 
No entretanto distraí-me
na doce melodia que me encantava
nesses acordes
já não era só um abraço
era mais
Eu contigo dançava
ao ritmo da valsa do teu manear
sem ser esse teu jeito atrevido
mas muito sensual
acompanhado
por cada palavra por ti recitada
eu dançava
Contigo dançava
soltava-me de meus passo trôpegos
do meu jeito sem ritmo
em que as pernas me prendem
e os braços gesticulam movimentos envergonhados
Era isto que eu sonhava
enquanto pela rua caminhávamos
segurar tua anca
e tua mão
enquanto me absorvia, radiante
no teu sorriso
em cada verso teu que me enfeitiça
A rua só para nós
e se dançava
sob a chuva ou no calor
que nada mais é do que provocador
sentir-me a arrepiar
da tua carícia em me abraçar
dançava
e dançava
e dançava

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Linhas de Desejo©

Foto: Nuno Laginhas©


Tantas linhas que se cruzam
entre nossas mãos, nossos corpos
que definem contornos
descrevem o toque da seda
do fôlego suado, extasiado
A silhueta contornada
em linhas distintas
do dia para a noite
umas vezes repousam sobre a tela
lentas no desejo com vontade de provocar
outras são pinceladas com energia
descontroladas pelo prazer, irrequietas
Linhas a tinta de óleo
cheias de brilho, com mestria
longe de serem decalcadas
de tão originais que são
Linhas entrelaçadas, convictas
com cores de Verão, alegres
são linhas de pintura de uma paixão

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Não me provoques o silêncio


Arde-me o coração com o desespero
                                     de te escrever
E fui silenciado desse desejo
                                   de te satisfazer

Si-lên-cio!
Desses lábios que sussurram
                        virginal prazer
tão bem definidos, encerrados sem sorriso

Si-lên-cio?
   Se são a minha perdição
de tão lindos que eles são

Ou escondes desejo carnal?
desse abafado silêncio
desvendado pelo arfar do teu peito

Si-lên-cio!
É grito de desejo de nós aqui encerrados
                       do nosso amor insatisfeito

Escorrem-nos gotas de luxúria
e queres silêncio?
E eu quero libertar a nossa fúria. 

(todos os direitos reservados - Nuno Laginhas)

segunda-feira, 29 de maio de 2023

Amor Resguardado

Imagem gerada por AI generativa Adobe FireFly


Que chuva é esta nos nossos beirais
Sobre as nossas ruas e campos magistrais?
Será água abençoada?
Ou só agoiro de um dia mais guardado?
E nós aqui asilados, será receio?
Desconheço a razão
Ou o motivo desta ausência de motivação
Mas fiquemos mesmo pelos nossos fantasmas
Que nos inunda num sonoro Não!
E se esses campos fossem por nós possuídos?
Despidos! Nós! Sem esses fantasmas?
Sem a certeza de que volta a chover
E cada um de nós se resguarde
Nos beirais distantes dos campos
Lamentando, chove tanto de novo

sábado, 23 de julho de 2022

Sexta-feira Sem...


As sextas-feiras são serenas
Silenciosas
Depois das dezoito horas
Ao contrário dos astronauras
da folia e bebida 
Depois das dezoito sossego
Encubro todos os meus desejos
sob mantas
Na penumbra de um sonho
paro o tempo 
Descrevo-te, de novo 
lembrado do quente aconchego 
A minha máquina do tempo
Regresso, corrijo, avanço 
Ver as árvores a florirem
as folhas a caírem 
Alcançar 
A nossa esplanada
de novo livre
Só para nós. 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Cartas de Amor

Photo by Ire Photocreative on Unsplash


Nem que seja amarrotado ou queimado
o intento de amar e de o querer afirmar
fica mesmo assim o desabafo em folha registado
Disfarçado do medo de falar e protegido do ouvir
E mesmo que se perca nos ermos montes da vida
as cartas de amor são escritas guiadas
por quem reside no coração do remetente
que dita as palavras tão sentidas
Palavras que despertam o doce em mil sabores
ou num amargo salgado de uma futura dor
E disso somos, agora, tão cautelosos
preocupados com tanta hipertensão
que abandonamos de vez, receosos
de escrever a elegante carta de amor

sábado, 16 de julho de 2022

Noite de Verão



Deito-me, envolto pela tormenta do lençol
como ondas que voltam e revoltam
não param
Estas noites de Verão na fornalha do Inferno 
E... Provavelmente mereço!
Despertar a arder
sem ser este o meu sofrer
Entre o pânico de procurar o ar
Perguntar 
Porque foste, assim tão breve?
Sem aguardar
Agora que os Demónios e Arcanjos bailam
Juntos! 
que o Céu e o Inferno se uniram
As confidências já não são segredo
perdidas no esperneio de voltas e mil voltas
Que nesta tormenta de calor
já não mais posso perguntar 
Porque te foste!

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Enchanté (de toi)

Photo by Natalia Sobolivska on Unsplash


Encantado
Já estive aí
Quando sorriste para mim

Encanta-me outra vez
(só desta vez)
Para voltar a sonhar

Encanta-me
Que mais nada tenho
Senão só o teu sorriso

Encanta-me
(teu encanto tão genuíno)
Que me faz perder o meu sentido

E ser encantado
Não é ser iludido
Como se isso fosse possível nesse teu autêntico jeito

Encanta-me
(só desta vez - sorri mais uma vez para mim)
Só mais uma vez

domingo, 10 de julho de 2022

Digo-te o Adeus que não Quero



Distraí-me quando sorriste
Perdi-me no teu jeito meigo
Nas melodias das tuas aventuras 
E depois de sossegar o entusiasmo 
Fui dominado, sem eu querer, pelo silêncio 
Fechado, só, na esquadria da esplanada 

E tudo o que queria era a ti
Entre uma aventura ou um só passeio
Perdi-me
No meu desejo altaneiro 
Entre estradas e caminhos 
Todas as curvas e contra curvas 
Nos cruzamentos das ruas

Dos encontros aos desencontros 
Dos segundos que ficaram dias
Nesta esplanada fechada
Deixei-te ir
Em meu envergonhado sorrir
Aos teus lugares distantes
Para tu seres feliz. 

terça-feira, 5 de julho de 2022

Soltar



Quero descalçar-me!
Tirar estes rudes sapatos
(gastos)
Livrar-me deste sufoco
Libertar-me!
Rasgar a camisa
(de força)
E refrescar-me!
Logo de manhã pela fresca
sentir nos pés a erva molhada
a terra macia
Soltar-me!
Sem mais, sem olhar atrás
e correr
Descalço, despido
da força de te amar
(esta intensidade tão atada)
Procurar novos destinos
desatar os nós apertados
libertar o coração no peito cingido
E um dia voltar
afirmando
Agora, descalço, sou feliz!

sábado, 2 de julho de 2022

Amor... Viver

Photo by Matthew Henry on Unsplash


O Amor
Atrevido despudor
Fantasia de nudez
Embriagado
Por Vénus e Baco
É salteador
Saltador
Assaltador
E o que mais pode acabar
Em dor
É campo despido
Desprotegido
Incerto e choroso
Como dias de Abril
É ougado
Insaciado
Com todo o início apressado
É vento, ventania
Que embala e abala
Mas é o Amor!
Destemido
Sincero e nada arrependido
E sem ele não sei viver.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Sonhar-te

Photo by Benjamin Davies on Unsplash

Permite-me estar
Refrescar a mente
Quando as noites são quentes
Enquanto o corpo repousa
Trazer o aconchego
Da erva fresca sob a oliveira
E sem imaginar
Apontar
Eis a constelação
Que guarda e aguarda
Todos os segredos
Os encantos e desencantos
Enquanto a mente refresca
Se liberta
Entre os ramos da oliveira
E em mim sonhar-te
Enquanto a noite ainda é quente
E a mente não desaponta
Acreditar
Que cada estrela
É o amor que não desvanece
Nesta cama de erva fresca
Encerrar os dias
Elevá-los ao céu
Para mais uma constelação surgir
A intensidade
Do teu corpo repousar
Num sonho meu
Sentir o teu calor
Quando me tocaste
E ao ouvido segredaste
Desejo-te
Então, permite-me... Sonhar-te

domingo, 26 de junho de 2022

Um Beijo Lento

Escultura de Auguste Rodin (1892)


Dar um beijo
um beijo lento
com tempo
o beijo que arrepia
E mil beijos em ti
exploradores
quentes e lentos
e o momento torna-se infinito
Mil beijos não bastam
no arrepio que reclama
o toque
a língua que desliza
Sentir cada milímetro
o teu relevo suado
olhos fechados
para descobrir
Ouvir
teus gemidos de calor
dois corpos ajustados
Abraçar
afagar os cabelos escorridos
teu corpo torcido
Um grito
um beijo lento
e, por fim, o silêncio

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Escrita a seu Tempo


A escrita é lenta
Demora o seu tempo
Em encontrar entusiasmo
Num fio de sentimento

Outras vezes distrai-se
No encanto
Do ondular do mar
Dos sonhos imensos

Mas também é esquecida
No pensamento 
De um delicado abraço
E de um sorriso teu

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Um Café, Na Esplanada



Era só um café, naquela manhã.
Nem frio, nem calor,
era a Primavera nesse dia
trazida pelo suave canto da cotovia.
Se fosse algo mais, ele não teria ido, 
este convite não teria existido.
Há tantos recantos onde se podia refugiar
sem ter que lhe dizer:
"Tão bom que é te amar".
Era só um café, distraído
por um cigarro e riso inquieto,
não mais do que isso, que isso bastava.
Foi nisso que se convenceu,
que a razão ditava:
o forçado sossego artificial.
Essa manhã, só por breve instante, olhar,
que era só contemplar o sorriso,
dela a felicidade em voo de liberdade.
Para ele, percurso penoso, aflito,
feito num instante
empurrado pelo coração:
"Se for já, é só um café, e não me prendo em ilusão".
Dois beijos e um olá, tão fácil que ia ser.
Acender um cigarro: "Tudo bem? Que bom te ver".
Depois? Seria só estar.
E o sorriso dela, a luz naquela Primavera,
acabou por confessar:
"Até um dia, adeus".

domingo, 12 de junho de 2022

Um Dia, Na Esplanada



"Nunca mais te falarei!"
Disse - ele - todo convencido em certeza fácil,
entre um refresco e a sombra agradável
numa esplanada à beira do rio.
Parecia - a ele - um discurso ágil,
adequado ao calor sentido e o momento inevitável,
a facilidade dessas três palavras
tão simples e imediatas da mensagem
que não podiam resultar em engano.
Estava - ele - convencido que tinha essa blindagem.
Cedo apercebeu-se, a bebida aqueceu
e a ausência, prematura, do calor,
esse discurso ágil era mentira indesejada,
arrastada, da esplanada, pelo rio em corrente.
Quando - ele - da sua ausência se fez sentir
e que a razão no engano o fez cair,
nunca mais voltou à esplanada,
nem a esse rio.
Para evitar ouvir:
"Nunca mais te falarei".

Poema em Destaque

Opinião da Dana

Os sonhos emigraram À boleia de pássaros aventureiros E um jardim, de esplanadas Sem ninguém, florido Impera o silêncio de breves conversas 

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