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Linhas de Desejo©

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Foto: Nuno Laginhas© Tantas linhas que se cruzam entre nossas mãos, nossos corpos que definem contornos descrevem o toque da seda do fôlego suado, extasiado A silhueta contornada em linhas distintas do dia para a noite umas vezes repousam sobre a tela lentas no desejo com vontade de provocar outras são pinceladas com energia descontroladas pelo prazer, irrequietas Linhas a tinta de óleo cheias de brilho, com mestria longe de serem decalcadas de tão originais que são Linhas entrelaçadas, convictas com cores de Verão, alegres são linhas de pintura de uma paixão

Um Copo de Gin

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É de corpo cravejado desejos pesados Amálgama de confusão Um hiperactivo reboliço Embrulhado sem guarda suficiente e a alma desprotegida desguarnecida Como outros dias perdida na ilusão de um feitiço o sonho sufocado Cansado d'este estio calor que faz despertar irritadiço dilui o efeito analgésico Preso sem percursos alongados a vespertina vontade de um gin feito espantalho no meio de olores de alecrim Sentidos perdidos a visão que vagueia desacompanhada e refrescada a traqueia Eliminado o reboliço do pensamento arrodilhado em inebriado momento todo o feitiço até então desejado desaparecido Mente de novo adormecida Mais um copo de gin e termina o sonho de uma vida

Inacabado

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Anota-se na mente rendilhados desejos

Cartas de Amor

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Photo by Ire Photocreative on Unsplash Nem que seja amarrotado ou queimado o intento de amar e de o querer afirmar fica mesmo assim o desabafo em folha registado Disfarçado do medo de falar e protegido do ouvir E mesmo que se perca nos ermos montes da vida as cartas de amor são escritas guiadas por quem reside no coração do remetente que dita as palavras tão sentidas Palavras que despertam o doce em mil sabores ou num amargo salgado de uma futura dor E disso somos, agora, tão cautelosos preocupados com tanta hipertensão que abandonamos de vez, receosos de escrever a elegante carta de amor

Sonhar-te

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Photo by Benjamin Davies on Unsplash Permite-me estar Refrescar a mente Quando as noites são quentes Enquanto o corpo repousa Trazer o aconchego Da erva fresca sob a oliveira E sem imaginar Apontar Eis a constelação Que guarda e aguarda Todos os segredos Os encantos e desencantos Enquanto a mente refresca Se liberta Entre os ramos da oliveira E em mim sonhar-te Enquanto a noite ainda é quente E a mente não desaponta Acreditar Que cada estrela É o amor que não desvanece Nesta cama de erva fresca Encerrar os dias Elevá-los ao céu Para mais uma constelação surgir A intensidade Do teu corpo repousar Num sonho meu Sentir o teu calor Quando me tocaste E ao ouvido segredaste Desejo-te Então, permite-me... Sonhar-te

O Búzio e o Mar

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Mais um dia Enumera-se até ao infinito O tempo inteiro da criação De um oceano de perder de vista A viagem que nunca mais termina  Mais um dia Em que os passos são nulos sem ideal Guardados no refúgio de um búzio Na imensidão do areal Protegido na sombra de uma arriba Mais um dia Em que as gaivotas se ouvem ao longe Numa algazarra de alegria  Entretidas pelo tanto alimento do oceano Distantes da árida arriba Mais um dia E já vão sendo muitos Que neste areal só esse búzio habitado Encostado na arriba isolado Solta as gotas salgadas desse oceano Mais um dia E não basta Em que as marés, ora perto, ora longe Não afagam o triste búzio Que em desespero de solidão  Imita o som hipnotizante do mar Na certeza que alguém o venha pegar. 

Flôr de Macieira

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Flôr pura branca de macieira Anúncio de Primavera Amadurecida pelo tempo Fruto doce suculento de desejo

Tremer... Ver-te

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Photo by Sven Mieke on Unsplash É esse teu olhar em ocaso de encontro que provoca forte vibrar no coração embriaga a voz que a faz engasgar e provoca um aceso forte tremor Esta é a realidade que atormenta. Será mais simples ver-te em sonho e ser como herói de capa esvoaçante controlar o meu olhar O sonho é que acalenta. Embora seja realidade efémera até ao despertador renuncio Só para ficar a sonhar Nesse encontro de desejo arrebatador 

Manhã de Domingo

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Photo by David Mao on Unsplash Existem manhãs serenas Gratificantes Maravilhosas São as manhãs de Domingo Sossegadas Como rio em manhã de Primavera Que aguardam, Com ternura Um doce suave beijo Sem pressa de uma saída Como num vale florido Ver, Ouvir, Sentir o pulsar da carícia Espontânea, Inspirada em Aurora e Vénus De despertar Intensos desejos

Onde me Deito

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Photo by Hans Eiskonen on Unsplash Fica frio este espaço sem luz, como qualquer outra noite anterior Nem um abraço de um cobertor aquece a tamanha ausência ou seduz Neste leito que me deito: Imenso, frio e sombrio É pedra granítica de relevo imperfeito tão diferente do aconchego tecido a fio A noite torna-se conversadora e inquieta, mas não aconselha, nem alerta Fico parado neste leito de desassossego A aguardar o abraço de aconchego

[Quero] Escrever [E] Não [Sei]

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Photo by Marcos Paulo Prado on Unsplash Quero escrever e não consigo Não sai uma palavra, nem símbolo Sinto-me tão apertado neste labirinto Com caneta e papel à minha frente mas não penso e nem faço rabisco A saída deve existir algures E a única coisa que encontro é um espelho Que me prende num reflexo estonteante Não sei se será medo ou vontade de esconder ausentar do do reflexo e começar a escrever Se estou vivo, existo, porque insisto na ilusão, no colorido momento de inspiração? Porque quero escrever e não consigo Não sai uma palavra ou símbolo, Nem desejo de ter amor comigo É sombrio e frio este reflexo de vidro Frágil mas intenso e imenso no vício Que aperta todo o meu ser me impede de criar e escrever Talvez agora possa não ter Aguardarei para recuperar a força Voltar a ter a ilusão e escrever