terça-feira, 26 de abril de 2022

Distracção

Photo by brunetto ziosi on Unsplash


Existem muros em nosso reino
No instante de um só assalto
São facilmente transpostos
Fortificações de ameias desprotegidas
Distraídas em actos de alegoria

segunda-feira, 25 de abril de 2022

O pião que não pára de girar

Photo by giovanni cordioli on Unsplash


Quando pião gira desenha um mundo
Descreve na sua dança o relevo da serra
O desenfreado movimento citadino
Numa praça da aldeia
Junta petiz e graúdo
Na sua dança há quem assista
E outro que o lança
Vai o graúdo que o tenta apanhar
O rebelde girador
Foge o malandro, redopiador
Apanhar é que não te apanho 
És livre e desafiador
Volta a rodar e a dançar 
E um dia vou-te agarrar

terça-feira, 19 de abril de 2022

Frio



Ruas, vielas, becos
cantos e recantos da cidade
Sem gritaria divertida
Espaços frios, abandonados

Os beirais desabitados
De floreiras esbatidas
Vazias, retratam o cinzento dos dias

O colorido perdido, cimentado
estanque, aquele frio jardim
Observa-se o banco vazio, sem alma
ou sobressalto de uma algazarra

A calçada encharcada, alagada
Estão, agora, árvores desprotegidas
despidas, intimidadas pelo frio dos dias
e do desprezo quem já não as mira

segunda-feira, 18 de abril de 2022

A Jornada

Photo by Mukuko Studio on Unsplash


Nesta cerrada neblina matinal
Que esconde o meu vale
Antigos dizem que na Primavera é normal

Perdi-me a ver de ti
Em passo desorientado de trilhos
Caminhos enviesados
Perdi-me, assim sem te ver

E quando tudo seria próximo
Foi no desejo que me perdi

Ao pé do Rio que desagua no Atlântico frio
Como fosse esta a grandeza dos dias
Sentia, que esse oceano era sítio de acalmia
O desaire de sonhos perdidos

No compasso dos dias, em longo percurso 
Sigo ao lado, desorientado, em caminho talhado
Empurrado pela brisa do norte
A fugir desta neblina matinal
Em raio de sol que a vem rasgar

E foi no desejo que me perdi
Quando tudo era estar perto de ti

(© Todos os direitos reservados)

Flôr



Flôr não é dor
É alegria, é cor
É desejo de agradar
Respeitar e amar

Flôr não é morte
Não tem que estar em lápide
Pedra fria de mármore
Que morrerá um dia
Sem alegrar ou sossegar
A forte dor de uma ausência

Flôr é Vida
Celebração
É um beijo apertado
Sentido
Um sorriso instantâneo

(© Todos os direitos reservados) 

sábado, 16 de abril de 2022

Não tenhas Pressa

Photo by Nathan McBride on Unsplash


Tanta pressa
Para seres
Procurares
e entenderes
A urgência de crescer
Ultrapassares
De vencer

Recusar a inocência
De tanto olhar
Esse distante´
Disperso horizonte

Tanta pressa
Que te aleija
Desajeita a alegria
Sem ver a vida
Que tem contornos
de diamantes e safira

Tanta pressa
Que devia ser em
Pausa
e veres
Que és linda, fabulosa
Uma alegre criança

sexta-feira, 15 de abril de 2022

O Meu Jardim

Picture by Isabel, 11 anos "A árvore que ilumina a noite"


Neste espaço
que a largo passo
Caminho
Sacho
Tem muito do meu trabalho
Sentado fico
e em mim crio
Um jardim
de uma só árvore
e canteiros de jasmim

Aqui, aguardo a luminosidade
De ti

Em suaves brisas
zumbaria de abelha
Em mim desperta
mais um canteiro
Lírios e rosas

Jardim, que foi só meu
Iludido
com todo o jasmim
rosas e lírios
Só para mim

(© Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Quando Será Tempo

Autorretrato: Aguardo o tempo


É dissonante o tempo
perdido num olhar do horizonte
Aquele em que aguardo
Pelo tempo menos distante

É tempo de forma alterada
o que aguarda em mim
Quando será tempo sem fim
deste tempo de estar sem ti

(© Todos os direitos reservados)

terça-feira, 12 de abril de 2022

As Ondas da Praia


No desassossego dos dias
Do turbilhão das palavras
E dos gestos
Repouso no vasto de uma visão
Do ondular ao retorno
De constante movimento
Sem o ruído da multidão
Desespero no sossego de voltar
Aos passos calmos
Sem ser já necessário olhar
Por um abraço

Sentei-me
E observei que sempre
Regressa
Ao ponto de partida
Renovada
Devolvendo a mensagem
Que se paro, tudo pára
E se daqui não vejo
Tão pouco posso esperar
Que algum dia
Tenha alguém para amar

(© Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Sonho



À janela pouco se descobre
Mesmo que afirmem convencidos
Desconfiem
Só se sonha, sonho pequeno 
É na viagem que se descobre 
As estórias, aventuras, alegrias 
Onde o sonho deixa de existir 
Para se afirmar
Esse sim
Empurra-nos para ver
Sentir
Desenvolver
Por tal, existem caminhos
Tantas alternativas 
Que da janela só sonhamos
E não descobrimos
Nas curvas contra curvas
Que se vai avançando 
Até um novo dia 
Que traga, esse sim
Com o sonho
Novos caminhos

sábado, 2 de abril de 2022

A Razão [...]

Photo by Javier Allegue Barros on Unsplash


Se tiver que definir a razão,
prefiro então colori-la
do que gastar lápis a descrevê-la.
Não por ser difícil ou fácil,
só porque me deixaria mais alegre,
distraído da dificuldade
que é entender se tenho razão.

Em sete lápis pegaria,
sete cores alegres, divertidas.
Com o primeiro definia o início
e, em arco, marcaria o fim.
Os outros todos acompanhariam
Juntinhos,
em arco, do início até ao fim.

Assim, num ápice, pintava o arco-íris.
Daqui para lá e de lá para cá.

Estranho, que uma e outra vez olhava,
já sem perceber
porque só via o princípio e seu fim
sem nunca o conseguir alcançar.

Diz-me, então, a Razão, por fim,
em segredo:
- Não desistas de procurar
e um dia, sem esperares,
o meu princípio vais encontrar.

(© Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O Rasgo do Revoltado

Photo by Nsey Benajah on Unsplash


Ignóbil espaço apertado
Escuro, medonho
Irado
Pasme-se, tristonho
Ansioso
De ácido nos seu veios
Que queima
Transforma o sossego
Em ímpeto de rasgo
Grito de libertinagem
Na explosão atómica
Devastadora
Como mão de Deus
Em purificar a alarvidade
Oportunista
Essas falsas preces
De quem só se curva
Quando o santo passa

Do silêncio
Ao ruído ensurdecedor
Esguicho  de veneno
Alterado
Teimoso e revoltado
Em estrondoso movimento
No espaço apertado
Na tóxica atmosfera
Se perde
No quotidiano dos dias

Inspira
Expira
Em ritmo viciante
Sem alcançar a venda
De visão tão turva
É em diversos sentido
O disparo da arma
Descontrolo
Do rasgo desmedido
Em grito
Perdido tarde no tempo

(© Todos os direitos reservados)

Poema em Destaque

Charuto

Eram onze horas de um dia que iniciava Desperto E acendiam um charuto num banco de jardim 

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