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O Homem que não chora

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Foto de Lukas Rychvalsky na Unsplash Numa noite fria  daquelas que já não dá para caçar,  entre nuvens, as lebres que olhos sonham  em que as estrelas é que informam  se é noite a coberto  Ficou sentado sobre o rio  numa ponte em ruína onde não passa alguém  um corpo vazio a boiar  em caminho para o mar  sozinho, o sorriso desvanecia  esperando ver outros que vivem mais além  Ouve-se o ruído do arreganhado de um cão  animal acorrentado  tentando assustar a Ceifeira  essa criatura de negro que corta a amarra  e perde-se o barco no rio turbilhão  Foi vida malandra  quando trabalhava só colhia parra  agora, silêncio!  Que nestes montes já não habita ninguém  Aproxima-se a foz  nesta hora buzinadelas e algazarras descansam  e o Homem continua só  frio e inchado  sabe agora, mesmo que o chamem,  que tudo está terminado  Nem a noite que sempre perde para o dia...

Velho Lobo

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Photo by Tom Pottiger on Unsplash Ouve-se o uivo do velho lobo na serra Calaram-se as corujas As fuinhas resguardam-se nas tocas É o chamamento O corpo do velho repousado Iluminado da fenestra pelo luar O canto da cegonha ouve-se pela manhã O velho lobo recolhido pela alcateia No sopé da montanha humedecido Do choro das nuvens deste Inverno Pairam os cristais divinais da pureza E afastadas as andorinhas e os melros É a renovação da alcateia O silêncio do uivo do velho lobo Inicia-se uma nova vida

Corpo Cansado

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Dias cansados pela solidão De sol a sol entalhado no corpo Esses dias só de enxada na mão Vem o interlúdio dos dias O descanso que encharca as veias Perde-se um beijo e um abraço Nem um desejo ou grito de prazer Tudo suspenso num pequeno espaço Uma só manta sobre o peito O sonho em veludo negro sem satisfazer Encerra no silêncio toda a perdida paixão Em longos e sinuosos caminhos percorridos Gravados em relevo nessa face ausente Ficam só as memórias de tempos idos E as mãos negras de quem vai carregar o caixão

Abstinência [Morte]

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Certo dia acordei cego - Grito! De louvor a esta dádiva. Se não vejo, não sinto, e deixo-me estar sem ambicionar que ver é viver. Quando de motivos já não abraço e permito-me agora ao descanso de tanto que quis em velha vida Até agora. Que me embriaguei com tanta paixão. Assolam os tremores de abstinência. São todas as dores de terrível ausência. A privação! Ver é sentir e eu que tanto quero, esse sorriso sentido, mas... Estas forças já esgotadas. Quero ir, deitar e descansar, Apagar! Onde sei que já não posso estar.

Flôr

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Flôr não é dor É alegria, é cor É desejo de agradar Respeitar e amar Flôr não é morte Não tem que estar em lápide Pedra fria de mármore Que morrerá um dia Sem alegrar ou sossegar A forte dor de uma ausência Flôr é Vida Celebração É um beijo apertado Sentido Um sorriso instantâneo (© Todos os direitos reservados)