segunda-feira, 18 de maio de 2026

domingo, 17 de maio de 2026

Pedras Envelhecidas



Existem pedras no caminho
Calçado, para os pés não calejarem
Com flores e verde ervas a decorar

Sem transgredirem com o meu caminhar
Espaços dramaticamente arrumados
Conduzindo a cantos e recantos
A locais de espanto

Guardadoras de amores e dissabores
De agora e de outros no além
Contadoras de turras e aventuras
Vitórias e derrotas de conquistas

As pedra novas, agora colocadas
São silenciosas
Faltam-lhes tempo para admirar
Quem distraído passa a correr
Para a vida organizar

São as pedras urbanas
Convencidas eruditas
Insensíveis a um abraço, um beijo
E a um amor abandonado

Resta só quem as esmagam

Eu quero pedras envelhecidas
Mais interessadas e sabidas

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Entardecer o Dia

Estou encostado à janela do meu quarto
Em vigília da tristeza
Tentando afugentar a descrença
Senti que pedaços do meu corpo cansado
Foram dilacerados em peças
Primeiro, levaram-me os músculos
Depois os ossos
Deixaram o coração para
Arritmadamente, ir  sangrando
Nas lágrimas de tanto vigiar
Se o sorriso, a alegria de festejar
A liberdade
Esta que foi acorrentada 
Em cela de arame farpado
Sim, idealizei a morte
Para a poder resgatar e
Devolvê-la à vida anterior
Mas, de soslaio, foram construindo um muro
Senti, sem hesitar, esta separação
Solidificada na saudade e desejo
De voltar, na rua, a caminhar 

Pedaço do Meu Mundo

Três pinheiros
Num monte pequenino
Sozinhos
E consome-me a calma
Com calor do azul dourado espaço
Sozinho
O dia inicia
Com o voo de uma águia
Asas largas
Aladas
Sozinha
Sem caruncho
Da poeira urbana
Da multidão
Que socorre o tempo perdido
Num carro
A receita é simples
Um monte, três pinheiros, o Sol, a águia
Foi todo o mundo
Num só pedaço
Como um quente abraço

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Epopeia de Prazer



Se todos os dias anotasse em escrita
As ideias que em mim vivem
Das que contam epopeias de prazer
Teria já uma biblioteca repleta de versos
Nenhum meu, todos teus

terça-feira, 12 de maio de 2026

Petulante Cupido


Pensei em vir a ser um vigilante
De arco e flecha
De capuz negro, talvez um romântico
Se fosse… Não seria como o petulante Cupido
Um menino alado, mal comportado
Braços pequeninos, de má pontaria
Júpiter tinha razão
Cupido só iria trazer problemas
Desperta amor ou paixão, mas sem saber em quem
Agora, desejo eu vigiá-lo
E um dia vou fazê-lo apaixonar
Mas com a segunda flecha escondida
Que vai ver como voa para os braços De novo, de Vénus
Atrevido seu menino pequenino
Com essa tua flecha, de pontaria incerta
Nem no amor uma flecha acertas

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Versos de Ouro e Pó

Imagem gerada por IA generativa Adobe FireFly


Ó Deus que te enxortei
Em cântico de penar
Para a dor tentar atenuar
Enquanto só caminho

Um música que ouço
Livre no ruído da cidade
Recorda-me de quando fui moço
E em tudo ouvia uma só verdade

Recorro a ti alma celestial
Durante o caminho por mim a amainar
Sem me dar conta que ser de novo jovial
É como árvore que seca sem abanar

Deixei de rezar mas não por fraco credo
Entrar e adorar tectos e adornados santos
Em talha de ouro talhados a sofrido dedo
Só me visita dor em pensar nos dourados ritos

Escrevi dois líricos poemas a bocejar
Um sobre Tua filha que tanto adorais
Outro sobre Teu filho que dizeis amar
Mas que os tornaste venerados mortais

Diz a Santa Sé
Penosa da sua fé
Que as palavras não adornam 
E eu a pensar que eram só versos que de mim vazaram

Simples, Sem Demais

Não quero ouvir
Não quero olhar
E diluir mais a vontade de querer fugir
Ou querer ficar e deixar-me estar
Neste só destino
Como se um rio não desaguasse no mar
Por não saber nadar

Não quero o verbo
Atormentar
Nem gritar com desejo o concretizar
Basta de flores plastificadas 
Perdendo a cor desde a alvorada

Por hoje, por amanhã
E por depois também
Só um tempo para descansar
E os verdes saudosos campos observar
As perdizes, os coelhos e outros animais a saltitarem
Sem ser a Terra a rodopiar

Cada árvore de raiz plantada
Sóbria mantendo-se em pé
Acompanhada pelos pássaros que passam
Dem ser o vento a empurrar

Simples, sem demais
Quero isto e basta!

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caracol de Corninhos ao Sol

Registo fotográfico obtido numa rua de Coimbra


Há caracóis?
Há!
Grita o Albertino a cantar
Foram criados em campos
De lindos girassóis
Sem pressa
Com o Sol a comandar
Para onde devem virar
E o caracol
Bicho tão apreciado
no seu lento caminhar
Sem pressa, nem instante
Em querer desertar

terça-feira, 28 de abril de 2026

Sonho de Espanto



Enquanto atravesso a praça
Aliado com baluarte

Sossegado como em mar pouco navegado

Doce é o meu caminhar


Em calçada de luar

Faço-me atento nos poucos livros

Que tenho para escutar


Surge corpo nu

Um campo de mármore quente

De arestas proeminentes

Não era monumento


Tremi,

desprendi-me da ligeireza

Da firmeza de observar

A beleza colocada num altar


domingo, 26 de abril de 2026

Geometria do Mar

Imagem gerada por IA generativa Abobe Firefly


Perdia-me no rasto de um uivo,
De um vasto turbilhão
Criado por nossa defesa excitação
Um guardião de nosso sangue vivo

Enquanto aquecia-mos em lençol de linho
Neste quarto engomado e perfumado
Pelo rasto de nós os dois habitado
Desperta o silêncio marinho

Teu beijo, a carícia de deusa
São ondas de mar
Húmidas, salgadas e revoltadas

Pensar em nos afastar?
Do calor entre lençóis em desalinho
Do calor da fornalha de prazer?
Só se for para sentir o coração a fustigar

sábado, 25 de abril de 2026

Nasci de Madrugada - Chamaram-me Liberdade



Nasci de madrugada
e à alvorada,
manhã de Sol por mim apaixonada,
recebo um abraço encantado
Nessa manhã que já cantava e dançava
Ofereceram-me uma flor
e terminava a nossa dor,
sem choro nem rancor,
chamaram-me Liberdade

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Ninguém para me Ouvir



Pedi, falhei em ajoelhar
baixar a cabeça e chorar
Acorda então o dia a chover
e o silêncio que não se deseja

Pedi para me libertarem
e ninguém para me ouvir
só o som das correntes enferrojadas
nos pulsos e em minha boca
de tanto grito já ensanguentada

Como já não pudesse escrever
e muito menos falar
Quero celebrar o que Abril de 74
fez os nossos Pais sonhar

quinta-feira, 23 de abril de 2026

A Ponte

 

É uma teimosia da vontade 
Um arco que o desejo traçou, 
uma interdição à suspensão 
Desvia-nos do abismo, 
do prematuro final do destino

terça-feira, 21 de abril de 2026

Marcador

Todos os livros merecem um marcador
mesmos os mais pequenos e reguilas
um marcador que não seja rude
Que docilmente nos faça recordar
as palavras já ditas e
outras tantas que restam para vivenciar

domingo, 19 de abril de 2026

Vento

Uma pétala
e mais outra
agora mil, em alegria

Um bailado
de corrupio
em Maio, das maias

Do vento
já pouco frio
em doce ondulação sem aflição

As verdes ondas
dos campos, agora inquietos
sem o frio álgido

Sussurros mensageiros
em melodias
de baladas, de uma nova paixão

sábado, 18 de abril de 2026

Árvores Despidas



A aguardar o solstício de verão
ido o tempo de agasalho despido
aguardam inertes sem embalo
as árvores vigilantes sem quererem incomodar

terça-feira, 7 de abril de 2026

Cidade Encerrada

 
Imagem gerada por Adobe Firefly

Fui questionando quem passava
apressado para fazer o nem sei o quê
o caminho de saída desta cidade
procuro-a a norte, a sul, por todos os caminhos
e não encontrei, só um deslise para o mesmo caminho
Fui-me sentando, cansado, entorpecido, em esplanadas
num bar pouco frequentado e bebendo
escorrido de caixa encerrada hermeticamente 
como eu nesta cidade que suscita grito de liberdade
Não preciso me levem pela mão
só mesmo indicarem-me o caminho
por mim saio sozinho, estrada a cima
com o primeiro passo sem sorrir e
de lábios secos com vontade de os refrescar
numa fonte de água adocicada, translúcida
água de verdade sem ser em caixa encerrada
E de manhã poder continuar a admirar
o caminho que tenho que seguir sem ter que regressar
a uma esquina da cidade 
num bar sem ser frequentado.

Poema em Destaque

Charuto

Eram onze horas de um dia que iniciava Desperto E acendiam um charuto num banco de jardim 

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