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Funeral do Inverno

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Foto: Nuno Laginhas  Dobram os sinos Morreste! Capado em teu mau feitio  odes ao negro e teu sobrenatural  num instante riso envergonhado  e um longo choro irritante  que derramas em calçadas sobre vultos em luto  Morreste! Deixa-nos agora cantar e dançar  em rituais de fertilidade  guardar o nosso luto  e, agora sim, viver  sair da clausura que provocaste  em passos menos apressados  que ao teu funeral vais sozinho  É uma bênção  os apaixonados envolvem-se descobrem-se peles intriga-se silhuetas sob leves sedas só porque tu morreste e nos dás de novo esperança

Inacabado

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Anota-se na mente rendilhados desejos

Nuvens

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Photo by Nikolas Noonan on Unsplash Fim de tarde deste Verão, na calma junto do manto cristalizado estendi a velha manta de retalhos e fiquei sossegado, a olhar, deitado As nuvens a tocarem-se como um entrelaçar das mãos em toque suave de sedução A aproximação dos seus lábios carícia com calma, com tempo e as mãos que voltam a tocar juntas, como curiosa exploração O beijo que agora foge e se funde perdido no relevo dos seus peitos Aumenta a temperatura esse toque com tempo Aguarda-se a humidade sem revolta mas tremendo As nuvens como duas pessoas apaixonadas unidas, a provocada extasiada explosão

Enchanté (de toi)

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Photo by Natalia Sobolivska on Unsplash Encantado Já estive aí Quando sorriste para mim Encanta-me outra vez (só desta vez) Para voltar a sonhar Encanta-me Que mais nada tenho Senão só o teu sorriso Encanta-me (teu encanto tão genuíno) Que me faz perder o meu sentido E ser encantado Não é ser iludido Como se isso fosse possível nesse teu autêntico jeito Encanta-me (só desta vez - sorri mais uma vez para mim) Só mais uma vez

Soltar

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Quero descalçar-me! Tirar estes rudes sapatos (gastos) Livrar-me deste sufoco Libertar-me! Rasgar a camisa (de força) E refrescar-me! Logo de manhã pela fresca sentir nos pés a erva molhada a terra macia Soltar-me! Sem mais, sem olhar atrás e correr Descalço, despido da força de te amar (esta intensidade tão atada) Procurar novos destinos desatar os nós apertados libertar o coração no peito cingido E um dia voltar afirmando Agora, descalço, sou feliz!

Amargura

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Lágrimas que escorrem entre rugas, esculpidas nas escarpas dos dias, são elas as cascatas em Inverno. A intransigência de uma desilusão anotada a tinta permanente neste caderno. A gazela que foge afoita do leão, em corrida desenfreada de sobrevivência, nesta savana extensa e estéril tão longa que não acalma a existência. Uma cotovia no topo de uma árvore. de tantos voos e cantos entoados nas manhãs quentes e alegres, por fim cai, entre ramos escorre, e os que reparam são tão poucos. No fim o que fica registado no palato, o forte sabor severo de um limão sem um adocicado estrato de uma paixão. 

Corpo Cansado

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Dias cansados pela solidão De sol a sol entalhado no corpo Esses dias só de enxada na mão Vem o interlúdio dos dias O descanso que encharca as veias Perde-se um beijo e um abraço Nem um desejo ou grito de prazer Tudo suspenso num pequeno espaço Uma só manta sobre o peito O sonho em veludo negro sem satisfazer Encerra no silêncio toda a perdida paixão Em longos e sinuosos caminhos percorridos Gravados em relevo nessa face ausente Ficam só as memórias de tempos idos E as mãos negras de quem vai carregar o caixão

Abstinência [Morte]

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Certo dia acordei cego - Grito! De louvor a esta dádiva. Se não vejo, não sinto, e deixo-me estar sem ambicionar que ver é viver. Quando de motivos já não abraço e permito-me agora ao descanso de tanto que quis em velha vida Até agora. Que me embriaguei com tanta paixão. Assolam os tremores de abstinência. São todas as dores de terrível ausência. A privação! Ver é sentir e eu que tanto quero, esse sorriso sentido, mas... Estas forças já esgotadas. Quero ir, deitar e descansar, Apagar! Onde sei que já não posso estar.