Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Dor

Fogo

Imagem
Não passo de um animal Cabresto de um raio cintilante de arbustos floridos arvoredos e prados coloridos Rapo tudo! Cores divertidas de urzes E as rochas que tocam o céu Salto, desfaço, corro e atravesso Não arrefeço na noite da Serra E rapo tudo o que tenho pela frente. Matos, cascalheiras e turfeiras E tudo não me basta Sou cabresto de um raio da mão amaldiçoada Atormento lobos e o gado descansado.  O carvalho de negral dei-lhe razão as bétulas de igual modo ficarão De vermelho incandescente afungentei os homens e mulheres, crianças amedrontei Sou esse animal  mal encarado sem querer saber o cabresto incandescente Sopro ventos e tormentos. 

Enxada

Imagem
Sem-ti Mãos rudes, calejadas  Gretadas A toque do cabo da enxada Terra seca sem ser regada Cavar, semear Amainar O tempo de germinar  Colher Sem enxada em minha mão  Ou o suor que escorre  Escreveria a suave toque  Mas de alma pobre  Sem ter como alimentar Este fraco escrever

Cartas de Amor

Imagem
Photo by Ire Photocreative on Unsplash Nem que seja amarrotado ou queimado o intento de amar e de o querer afirmar fica mesmo assim o desabafo em folha registado Disfarçado do medo de falar e protegido do ouvir E mesmo que se perca nos ermos montes da vida as cartas de amor são escritas guiadas por quem reside no coração do remetente que dita as palavras tão sentidas Palavras que despertam o doce em mil sabores ou num amargo salgado de uma futura dor E disso somos, agora, tão cautelosos preocupados com tanta hipertensão que abandonamos de vez, receosos de escrever a elegante carta de amor

Noite de Verão

Imagem
Deito-me, envolto pela tormenta do lençol como ondas que voltam e revoltam não param Estas noites de Verão na fornalha do Inferno  E... Provavelmente mereço! Despertar a arder sem ser este o meu sofrer Entre o pânico de procurar o ar Perguntar  Porque foste, assim tão breve? Sem aguardar Agora que os Demónios e Arcanjos bailam Juntos!  que o Céu e o Inferno se uniram As confidências já não são segredo perdidas no esperneio de voltas e mil voltas Que nesta tormenta de calor já não mais posso perguntar  Porque te foste!

Porra!

Imagem
Às vezes, muitas vezes grito Porra! e sem pudor também choro Não fui germinado em terra negra nos altos fornos do Diabo Nem tolhido em terra de celibato nas galerias ancestrais da castidade Grito quando me irrito À revelia do sossego instituído Do pão desperdiçado, negado a quem tem fome Do trabalho exagerado exigido ao coitado Tudo me irrita, Porra! Quando se tropeça na calçada percorrida nem um braço, abraço, um apoio como que sem dinheiro não fosse vida Quando se fala e ouvem mais as paredes  essas que não julgam nem apontam o dedo Também choro quando vejo sofrer  A dor de uma criança que não tem pão para comer um brinquedo para rir, umas sapatilhas para correr  O pai e a mãe, de sol a sol, negros de trabalho exagerado  não calam o choro da criança  que nem assim baixam os braços ou perdem a esperança  Choro e não tenho vergonha  Quando a caridade é efemeridade para a fama de quem exige trabalho forçado mal pago Quando o chicote esvoaça e mata Grito...

Mundo Suspenso

Imagem
Photo by Yukon Haughton on Unsplash Neste momento o meu pequeno espaço parece o mundo e tanta casa devastada bombardeada e eu livre, divertindo-me Escola encerradas crianças encarceradas no tormento da explosão não há tempo para a brincadeira perdeu-se a jovial ilusão Nem pão, vinho ou água ou cama para repousar e eu livre, tenho tempo para sonhar Amigos perdidos amantes desaparecidos entre bombas e mísseis procuram a liberdade No curto espaço refugiado a morte é visita e companheira e eu no meu mundo desencarcerado abraço a felicidade, canto e danço

Amor... Viver

Imagem
Photo by Matthew Henry on Unsplash O Amor Atrevido despudor Fantasia de nudez Embriagado Por Vénus e Baco É salteador Saltador Assaltador E o que mais pode acabar Em dor É campo despido Desprotegido Incerto e choroso Como dias de Abril É ougado Insaciado Com todo o início apressado É vento, ventania Que embala e abala Mas é o Amor! Destemido Sincero e nada arrependido E sem ele não sei viver.

Fardo

Imagem
Photo by Alexander Krivitskiy on Unsplash Se eu pudesse falar Dizer O que vai em mim Sem que seja pesado fardo Para ti Soltar esta vaidade De estar apaixonado Libertar Dessa morfina Da distância do sonho Mas que não seja fardo Para ti Carrego eu Só eu Auxiliado por um receio Todos os gritos De desejo Dizer Só para mim Acorrenta-me, em Mosteiro O silêncio O delírio da ilusão E eu combato Este exército miudinho Desde as entranhas Dominadas E não te tiro de mim Calado fico Para ti O fardo seja meu Porque assim eu quis 

O Tempo que Esgota o Momento

Imagem
Photo by Jon Tyson on Unsplash Aquele momento em que tocamos no interruptor Acto breve e simples em que se extingue a luz E os espaços tornam-se em sossego para uma dor Só então se apercebe que breve foi o dia Quando as horas se diluíram em segundos E o tempo que era tanto afinal não bastou Usurpa-se, então, os momentos que não controlamos Em que o tempo, sem se entender, é de sua vontade Esse tempo que nos foge e que ele mesmo afugentou Esse tempo que faltou, que iludiu Que nos deixou embalado pelo gesto suave Um sorriso genuíno e um beijo quente E ficamos aí, detidos, nessa inebriante vontade Sem nos apercebermos que o tempo, esse maldito De sua vontade, incontrolado, esgotava Então, faltou tempo! Que agora tanto sobra, que desliga, em acto automático A luz e carrega a dor do sossego O tempo que devia ter sido basto E não só aquele instante momento O bastardo que não regressa Mas que se apressa Sem dó, trazer na memória esse breve tempo Em acto cruel que nos torna fieis em esperança...

Odeio P...n!

Imagem
Photo by Tina Hartung on Unsplash Há dias irracionais Alimentados por líderes irracionais Dias que fazem perder o sentido da vida Em que ficamos revoltados, abismados, preocupados Ver tanto Ser a sofrer Pela mão de um beligerante cleptocrata Como um Ivan, O Terrível que Friamente Despreza a vida da Humanidade Nesta guerra, como em outras, ninguém vai ganhar Quando sempre se assiste ao Homem morrer Sem saber porquê Pelas mãos cegas, ensanguentadas De vil mandatário Só porque odeia a liberdade E deseja estabelecer a paranoica hegemonia Não se percebe este tamanho ódio E a obsessão de anexar Fixado em dogma ultrapassado Sem se importar com a dor que vai provocar (© Todos os direitos reservados)