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domingo, 28 de agosto de 2022

Tardo em...



Tenho dias que me distraem
encobertos sob névoa anestesiante
que mitiga todos os sentidos
e na bruma ficam diluídos
cada vez mais constante

A arte lograda da palavra sentida
na ocorrência constante em que treme a mão
escorraça a certeza para a dúvida
e este espaço é só mais um breu
com todas as palavras perdidas em borrão

Outros dia
aquele de muito curto instante
só quando o vento forte bafeja
são arrepio constante
e a caligrafia baila em elaborada coreografia

Nesses dias ordeno aos sentidos
que não é enxovalho sentir
e deixar este corpo exprimir
em gritos, choros, sorrisos ou mimos
esperando que outros dias sejam idos

E sem aviltar o que tenho para dizer
na abundância da fina força
que aparece, desaparece, e torna aparecer
no esconso mais refundido da expectativa
Ainda não estou para morrer!

domingo, 24 de julho de 2022

Enxada



Sem-ti
Mãos rudes, calejadas 
Gretadas
A toque do cabo da enxada
Terra seca sem ser regada
Cavar, semear
Amainar
O tempo de germinar 
Colher
Sem enxada em minha mão 
Ou o suor que escorre 
Escreveria a suave toque 
Mas de alma pobre 
Sem ter como alimentar
Este fraco escrever

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

[Quero] Escrever [E] Não [Sei]

Photo by Marcos Paulo Prado on Unsplash


Quero escrever e não consigo
Não sai uma palavra, nem símbolo
Sinto-me tão apertado neste labirinto
Com caneta e papel à minha frente
mas não penso e nem faço rabisco

A saída deve existir algures
E a única coisa que encontro é um espelho
Que me prende num reflexo estonteante

Não sei se será medo ou vontade de esconder
ausentar do do reflexo e começar a escrever

Se estou vivo, existo, porque insisto na ilusão,
no colorido momento de inspiração?
Porque quero escrever e não consigo
Não sai uma palavra ou símbolo,
Nem desejo de ter amor comigo

É sombrio e frio este reflexo de vidro
Frágil mas intenso e imenso no vício
Que aperta todo o meu ser
me impede de criar e escrever

Talvez agora possa não ter
Aguardarei para recuperar a força
Voltar a ter a ilusão e escrever

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Opinião da Dana

Os sonhos emigraram À boleia de pássaros aventureiros E um jardim, de esplanadas Sem ninguém, florido Impera o silêncio de breves conversas 

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