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terça-feira, 21 de novembro de 2023

Vento de Outono

Imagem gerada por AI


Neste curto espaço que é o tempo
umas vezes frio, em poucas ocasiões quente
as folhas de Outono desencantam-se
depois de um Verão de promessas de cores garridas

Abandonam que as viu nascer e as fizeram crescer

O vento sopra-lhes novas aventuras
ou epopeias até ainda não vividas

Vai insistindo em suaves palavras
Se não as convence naquele instante do primeiro sussurro
irrita-se! Sopra-lhes fortes impropérios

Tem um único objectivo, de as fazer abandonar
a casa que as viu nascer

Umas, de desencanto sofrido, aventuram-se
e nesse imediato encantam-se
nas doces traiçoeiras palavras do vento
Não voltam, desaparecem

As outras, que pouco desencanto sentiram, ou de pequenas expectativas
agarram-se com a força que vem do medo
e nem o vento vituperioso as arranca da mãe

Afirma o vento, em última tentativa para as convencer,
"está a acabar o vosso tempo, têm que sair!
Ou com a vossa mãe vão morrer"

Umas, sem notícias das que desapareceram, são convencidas
e com o vento dançam até ao canto de um canteiro abandonado

As outras aguentam até ao inverno
junto de quem as viu nascer
para nesse tempo que está sem espaço, terminado,
agarradas à mãe para juntas morrerem. 

domingo, 28 de agosto de 2022

Tardo em...



Tenho dias que me distraem
encobertos sob névoa anestesiante
que mitiga todos os sentidos
e na bruma ficam diluídos
cada vez mais constante

A arte lograda da palavra sentida
na ocorrência constante em que treme a mão
escorraça a certeza para a dúvida
e este espaço é só mais um breu
com todas as palavras perdidas em borrão

Outros dia
aquele de muito curto instante
só quando o vento forte bafeja
são arrepio constante
e a caligrafia baila em elaborada coreografia

Nesses dias ordeno aos sentidos
que não é enxovalho sentir
e deixar este corpo exprimir
em gritos, choros, sorrisos ou mimos
esperando que outros dias sejam idos

E sem aviltar o que tenho para dizer
na abundância da fina força
que aparece, desaparece, e torna aparecer
no esconso mais refundido da expectativa
Ainda não estou para morrer!

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