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domingo, 3 de julho de 2022

Dias Comigo



Queres tomar café comigo?
Estou aqui sozinho.
Nesta esplanada ou em outra mais ao lado. 

Já há poucas mesas livres 

Não interessa a quantidade de amigos
E todos os telefonemas perdidos
A efemeridade dos segundos contados
O novo isolamento auto-medicado

Mesmo com outras mesas ocupadas

Mantenho-me isolado
Imaginando a vida de quem passa
Em apneia sôfrega a olhar a rua

Nem me apercebo de novas saudações 

Tenho como pedido só um café 
O telefone em silêncio 
Na companhia de um cigarro
E na esplanada calado fico. 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Insónia

Photo by Angel Luciano on Unsplash


Cobertor    lençol    almofada    fronha

                tudo o que me pesa

Mexo    remexo                           alucinação

Tapo-me     destapo-me    tudo pesa    desperto!

Está escuro    sereno    não há monstros     por agora!

                                                         Faltas tu.

Ajeito a almofada    fecho os olhos        regresso

ao revirar da alucinação

Mexo    remexo    alivio o peso    não o pensamento

Está só escuro    manhã distante    por fim adormeço

Acordo                                                          

terça-feira, 3 de maio de 2022

Agora... Só em Mim



Vi, conheci, vivi
Empoleirado, bem alto, convencido
Passo largo, apressado, atabalhoado
Instante, sentido, emotivo
Por agora só, um momento, só

Que salto, sobressalto, o espanto deste pranto
Em travesseiro, atravessado, deitado
Canto sem encanto, por enquanto é tanto
Calado, abafado, a coberto de cobertor
Encerrado, deitado de lado, que triste fado
Aqui, sem ti, só em mim

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Alius

Picture by Sophia Wild,  Resiliência entre Mundos


Caiu!
E caído ali ficou.
O Alius, tão só,
no meio da multidão,
caído, pobre
Objecto descartado
no meio de tantos nós.

E queremos nós lá saber!

Não é nosso pai, filho ou irmão
E ali está, caído, só!

Corpo supérfluo,
mutilado, pisado
e no meio da multidão
desses que o rodeamos
não nos sacrificamos,
não o ajudamos, deixámo-lo
caído, só!

E se um dia assim cairmos?
Será que nos lembramos 
do Alius caído, só!

Poema em Destaque

Opinião da Dana

Os sonhos emigraram À boleia de pássaros aventureiros E um jardim, de esplanadas Sem ninguém, florido Impera o silêncio de breves conversas 

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