Sonho de Espanto



Enquanto atravesso a praça
Aliado com baluarte

Sossegado como em mar pouco navegado

Doce é o meu caminhar


Em calçada de luar

Faço-me atento nos poucos livros

Que tenho para escutar


Surge corpo nu

Um campo de mármore quente

De arestas proeminentes

Não era monumento


Tremi,

desprendi-me da ligeireza

Da firmeza de observar

A beleza colocada num altar


Geometria do Mar

Imagem gerada por IA generativa Abobe Firefly


Perdia-me no rasto de um uivo,
De um vasto turbilhão
Criado por nossa defesa excitação
Um guardião de nosso sangue vivo

Enquanto aquecia-mos em lençol de linho
Neste quarto engomado e perfumado
Pelo rasto de nós os dois habitado
Desperta o silêncio marinho

Teu beijo, a carícia de deusa
São ondas de mar
Húmidas, salgadas e revoltadas

Pensar em nos afastar?
Do calor entre lençóis em desalinho
Do calor da fornalha de prazer?
Só se for para sentir o coração a fustigar

Nasci de Madrugada - Chamaram-me Liberdade



Nasci de madrugada
e à alvorada,
manhã de Sol por mim apaixonada,
recebo um abraço encantado
Nessa manhã que já cantava e dançava
Ofereceram-me uma flor
e terminava a nossa dor,
sem choro nem rancor,
chamaram-me Liberdade

Ninguém para me Ouvir



Pedi, falhei em ajoelhar
baixar a cabeça e chorar
Acorda então o dia a chover
e o silêncio que não se deseja

Pedi para me libertarem
e ninguém para me ouvir
só o som das correntes enferrojadas
nos pulsos e em minha boca
de tanto grito já ensanguentada

Como já não pudesse escrever
e muito menos falar
Quero celebrar o que Abril de 74
fez os nossos Pais sonhar

A Ponte

 

É uma teimosia da vontade 
Um arco que o desejo traçou, 
uma interdição à suspensão 
Desvia-nos do abismo, 
do prematuro final do destino

Marcador

Todos os livros merecem um marcador
mesmos os mais pequenos e reguilas
um marcador que não seja rude
Que docilmente nos faça recordar
as palavras já ditas e
outras tantas que restam para vivenciar

Vento

Uma pétala
e mais outra
agora mil, em alegria

Um bailado
de corrupio
em Maio, das maias

Do vento
já pouco frio
em doce ondulação sem aflição

As verdes ondas
dos campos, agora inquietos
sem o frio álgido

Sussurros mensageiros
em melodias
de baladas, de uma nova paixão

Sonho de Espanto

Enquanto atravesso a praça Aliado com baluarte Sossegado como em mar pouco navegado Doce é o meu caminhar Em calçada de luar Faço-me atento ...