Nas noites de Inverno
Choradas por um frio sentido
A persiana do quarto não a encerrava
Não me escondia da chuva ou ameaça de neve
E olhava, sem o arrepio de estar na rua
Janelas e luzes das casas encerradas
Tudo sereno, pela madrugada adentro
Agora já não adormeço sonhando
Encerro a persiana, escondo a curiosidade
Deixo a janela aberta para o vento
Se tiver ainda alento, durante a noite
Em me vir saudar
Deixei de mirar as outras casas
Encerrei-me na cápsula sem tempo
Para imaginar
Quanto têm os outros para contar
Em tempo, o desejo de sonhar