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terça-feira, 7 de abril de 2026

Cidade Encerrada

 
Imagem gerada por Adobe Firefly

Fui questionando quem passava
apressado para fazer o nem sei o quê
o caminho de saída desta cidade
procuro-a a norte, a sul, por todos os caminhos
e não encontrei, só um deslise para o mesmo caminho
Fui-me sentando, cansado, entorpecido, em esplanadas
num bar pouco frequentado e bebendo
escorrido de caixa encerrada hermeticamente 
como eu nesta cidade que suscita grito de liberdade
Não preciso me levem pela mão
só mesmo indicarem-me o caminho
por mim saio sozinho, estrada a cima
com o primeiro passo sem sorrir e
de lábios secos com vontade de os refrescar
numa fonte de água adocicada, translúcida
água de verdade sem ser em caixa encerrada
E de manhã poder continuar a admirar
o caminho que tenho que seguir sem ter que regressar
a uma esquina da cidade 
num bar sem ser frequentado.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Na Cidade que Resido



Nesta cidade
Farta, Forte, Fria, Fiel e Formosa
Passa longe um rio
Escondido entre montes e muros
Um rio que farta
Tanto olival, hortas e gado
Crianças que nele refrescam
Sonhos para outros destinos
Montes de fortaleza
E muros de contenção
De toda a criação que esteja para vir
Ou de toda que deseja progredir
Frio de ideias
Cópia de outros que estão longe
Para os lados do Atlântico
O santo que agradece
A fidelidade de quem para ele sorri
Mãos abertas costas curvadas
O rio que lava
Poeiras e detritos
Da tão encapuçada formosura 
É esta cidade guardada
Sob o cajado do pastor das estrelas
Tão bem conservada
E amada no tempo da Ribeirinha

terça-feira, 19 de abril de 2022

Frio



Ruas, vielas, becos
cantos e recantos da cidade
Sem gritaria divertida
Espaços frios, abandonados

Os beirais desabitados
De floreiras esbatidas
Vazias, retratam o cinzento dos dias

O colorido perdido, cimentado
estanque, aquele frio jardim
Observa-se o banco vazio, sem alma
ou sobressalto de uma algazarra

A calçada encharcada, alagada
Estão, agora, árvores desprotegidas
despidas, intimidadas pelo frio dos dias
e do desprezo quem já não as mira

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Da Cidade [ou] Campo©

Photo by Jack B on Unsplash


Cidade é muro, muralha, é sombra
É espaço mitigado de desejo
Em excesso de velocidade no festejo
É trabalhar, apressar, dormir

O campo é inspiração de sentimento
É a liberdade de expressão
No cantar do grilo, no voo do pássaro
É  apreciar, desejar, sonhar

Cidade é energia consumidora
Arrebatadora do fôlego da vida
O campo é vasto criador
É força de vida purificadora

(Todos os direitos reservados)

domingo, 6 de fevereiro de 2022

O Inverno em Nós

Picture by Isabel, 11 anos


Não se vê alegria
Nesta dura realidade
Em cada rua desta Cidade

Faces ocultas e fechadas
Entre sussurros sob beirais
Que não abrigam mais
Os doces acordes de baladas

Abrigam-se neles corpos inertes
De mentes que não se advinham ilusão
Deixados ir no turbilhão
Na corrente de outros tempos

Esforçam-se em disfarçar tragédias
De tantos pesados dias

Fixos de olhares distantes, dispersos
Procuram, como animal esfomeado
A sobrevivência dos ocultos desejos

Terminado o dia, o penal sacrifício
Na cidade deste Inverno
Em tudo se mantém o silêncio

(© Todos os direitos reservados)

sábado, 8 de janeiro de 2022

Um Amante... Na Cidade

Paint by Isabel (11 years)


Há um novo amante na cidade
Pessoa sem rosto, uma divindade
Corpo de sedução dormente,
que sonha e ama permanentemente

É caminhante errante,
distinto no meio de tanta gente

Vive momentos de ardor
o amante que não apressa o ritmo,
nem se assusta com o caminho
Não anseia pela paixão sem amor

Sabe que não está sozinho
Cada olhar é o toque de Midas
É a ternura de um suave dia
e uma noite de ardente carinho

O amante na cidade tem o seu mundo
Ninguém o vê, mas todos o sentem
Tal pessoa de sentimento fecundo



Poema em Destaque

Opinião da Dana

Os sonhos emigraram À boleia de pássaros aventureiros E um jardim, de esplanadas Sem ninguém, florido Impera o silêncio de breves conversas 

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