Odeio P...n!

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Há dias irracionais
Alimentados por líderes irracionais
Dias que fazem perder o sentido da vida
Em que ficamos revoltados, abismados, preocupados
Ver tanto Ser a sofrer
Pela mão de um beligerante cleptocrata
Como um Ivan, O Terrível que
Friamente
Despreza a vida da Humanidade

Nesta guerra, como em outras, ninguém vai ganhar
Quando sempre se assiste ao Homem morrer
Sem saber porquê
Pelas mãos cegas, ensanguentadas
De vil mandatário
Só porque odeia a liberdade
E deseja estabelecer a paranoica hegemonia

Não se percebe este tamanho ódio
E a obsessão de anexar
Fixado em dogma ultrapassado
Sem se importar com a dor que vai provocar

(© Todos os direitos reservados)

Não há Glória na Guerra!

Fonte: https://br.freepik.com/fotos-premium/conceito-de-paz-agora-para-a-ucrania-e-a-russia-renderizacao-3d_18368153.htm


Que glória é que pode haver
numa guerra que ninguém consegue compreender,
em ser estilhaço de carne
e ser Homem enviado para abate?

Haverá glória onde não há ética
nem moral
numa decisão esquizofrénica?

Haverá glória por descobrir
num tremendo acto de agressão
que de forma tão vil
decide friamente mandar disparar canhão?

Quem é que descortina glória
ou até heroísmo
esconder atrás de insígnia
e por fim a toda a vida?

É terrível
É bárbaro
Este acto que saca a liberdade
e destrói a Humanidade 

Da Cidade [ou] Campo©

Photo by Jack B on Unsplash


Cidade é muro, muralha, é sombra
É espaço mitigado de desejo
Em excesso de velocidade no festejo
É trabalhar, apressar, dormir

O campo é inspiração de sentimento
É a liberdade de expressão
No cantar do grilo, no voo do pássaro
É  apreciar, desejar, sonhar

Cidade é energia consumidora
Arrebatadora do fôlego da vida
O campo é vasto criador
É força de vida purificadora

(Todos os direitos reservados)

O Inverno em Nós

Picture by Isabel, 11 anos


Não se vê alegria
Nesta dura realidade
Em cada rua desta Cidade

Faces ocultas e fechadas
Entre sussurros sob beirais
Que não abrigam mais
Os doces acordes de baladas

Abrigam-se neles corpos inertes
De mentes que não se advinham ilusão
Deixados ir no turbilhão
Na corrente de outros tempos

Esforçam-se em disfarçar tragédias
De tantos pesados dias

Fixos de olhares distantes, dispersos
Procuram, como animal esfomeado
A sobrevivência dos ocultos desejos

Terminado o dia, o penal sacrifício
Na cidade deste Inverno
Em tudo se mantém o silêncio

(© Todos os direitos reservados)

A Imaculada Tela ou a Incapacidade de Pintar

Picture by Isabel (11 anos), Study of Art


Devo ter sido mau aprendiz,
tenho dificuldade em saber
como pintar a imaculada tela,
emoldurar e dizer que é dom meu.

Ou são os meus olhos,
que tanto tempo encerrados
já não vejam o que desenhar

Ou as minhas pesadas mãos,´
que tanto tempo prisioneiras,
já não há sensibilidade nelas

Ou então todos os meus sentidos
que de tanto embriagados estão
duvidam de tão intensa paixão 

Memórias

Auto retrato


Ao se cruzar memórias
Há algo de prodígio na descoberta
Razões, que em outros momentos, em vão 
Faziam andar caminhos estendidos 
Em retorno ao ponto de partida
Sem transitar em para sonhos
Entretanto, todos os espaços de memorias
São a aurora das descobertas 
Que afastam o breu véu cerimonial
(esse curto horizonte de momento) 
O desembrear de novas imagens 
A aleluia do advento de novas memórias 

Sinónimo de Estar Sozinho

Picture by Isabel, 11 anos

es¦ta¦r so¦zi¦nho
1. É ter a mente em silêncio
num escuro quarto retirado
em gestos frágeis de movimento
provocados pelo arrepio de repetido frio. 

2. É ter pensamento adormecido
fixo em projecção de destino
3. É espaço intensamente intrincado
reduzido ao vaporoso sopro
ao nebuloso descontentamento. 

Vale Meu

Picture by Sophia Wild, Atração e Fuga do Abismo

Era um vício inalcançável por algo
Disfarçado pelo engano do tempo

Tenho agora o que não via
A obsessão do verde vale resplandecente
Numa vontade antes omitida
Afastada por um rio cadente

Deixou de ser sentimento em falta
Para me trazer de regresso
Agora que deixei temer a corrente do rio

Existem margens em todo o vale
Mas só um porto de abrigo me interessa

Não há receio que me assalta
No verde vale resplandecente
Que me entrelaça nos vigorosos ramos
E esbatesse a expectativa dos dias
Para reforçar o suave sabor do momento 

Nasci de Madrugada - Chamaram-me Liberdade

Nasci de madrugada e à alvorada, manhã de Sol por mim apaixonada, recebo um abraço encantado Nessa manhã que já cantava e dançava Ofereceram...