Hoje (não para mim)
Teima o dia em despertar Hoje que não é dia Nem momento de acordar E o ontem que não regressa Que ontem (se não me engano) As folhas das árvores dançavam Com os ritmos quentes da brisa de verão Os pássaros pulavam de ramo em ramo Um e outro, sem pressa Como se fossem brincadeiras de criança Mas hoje (o dia que não quero) Tenho as mãos frias O corpo pesado, imobilizado, E o olhar fixado Nas rosas (que tanto gostas) Que são só pétalas desiludidas Queimadas Nesta terra que já não me aquece Que não me move Para que o hoje tenha aparecido E aqui tenha ficado No ontem perdido Logo hoje que não devia ter existido