terça-feira, 26 de julho de 2022

Hoje (não para mim)



Teima o dia em despertar
Hoje que não é dia
Nem momento de acordar
E o ontem que não regressa
Que ontem (se não me engano)
As folhas das árvores dançavam
Com os ritmos quentes da brisa de verão
Os pássaros pulavam
de ramo em ramo
Um e outro, sem pressa
Como se fossem brincadeiras de criança
Mas hoje (o dia que não quero)
Tenho as mãos frias
O corpo pesado, imobilizado,
E o olhar fixado
Nas rosas (que tanto gostas)
Que são só pétalas desiludidas
Queimadas
Nesta terra que já não me aquece
Que não me move
Para que o hoje tenha aparecido
E aqui tenha ficado
No ontem perdido
Logo hoje que não devia ter existido

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