quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Natureza



Talvez me apeteça olhar para a natureza
Só olhar e nem um pouco me mexer
Ou abrir a boca para palavra dizer
Só olhar a natureza
No campo, na floresta ou descampado
Nós sabemos, conhecemos
Árvores, formigas, escaravelhos e outros bichos
Um ou outro veado, um lobo aí da solitário,
Uma perdiz, uma lebre e mais haverá
Pinhas no chão, a folha que se soltou do vento que soprou
Fetos e giestas por onde o caminho não é feito
Essa já eu a conheço
A do Homem é que me é despercebida
Entre insultos ... e guerras e fortes punições
Parece a erva que o agricultor não quer
A daninha, que dê tudo o resto elimina

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Livro



O que sentiram quando uma palavra num livro vos disse: abraça-me?
Um arrepio pela espinha a escorrer no tempo que o livro ditou?
Um susto de ouvir um livro suplicar um afecto de pessoa apaixonada?
Ou continuar a correr, página atrás de página, até já não verem nem mais uma
Nem mais uma palavra que falava, que vos cantava ao coração
Então que seja o fim, o que sentem, ver tantas mais pessoas apressadas?
Outras tantas que um livro leram e assim que ele falou, abalaram
Para onde? Para um lugar isolado, sem vozes nem tremores
Esqueci-me que antes do fim, há o entremeio
Aquele lugar que os livros vão repousando, desesperando
Que voltemos ao início e conversemos, com ele
O ouçamos a palavra tão bonita, para mim especial, abraça-me
De novo e de novo, sem favor ou sem pressa para abalar

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