Dançava


Foto de Nihal Demirci Erenay na Unsplash

Pensei em te estender a mão
e convidar-te
a um abraço
enquanto caminhávamos em passo lento 
No entretanto distraí-me
na doce melodia que me encantava
nesses acordes
já não era só um abraço
era mais
Eu contigo dançava
ao ritmo da valsa do teu manear
sem ser esse teu jeito atrevido
mas muito sensual
acompanhado
por cada palavra por ti recitada
eu dançava
Contigo dançava
soltava-me de meus passo trôpegos
do meu jeito sem ritmo
em que as pernas me prendem
e os braços gesticulam movimentos envergonhados
Era isto que eu sonhava
enquanto pela rua caminhávamos
segurar tua anca
e tua mão
enquanto me absorvia, radiante
no teu sorriso
em cada verso teu que me enfeitiça
A rua só para nós
e se dançava
sob a chuva ou no calor
que nada mais é do que provocador
sentir-me a arrepiar
da tua carícia em me abraçar
dançava
e dançava
e dançava

Funeral do Inverno

Foto: Nuno Laginhas 


Dobram os sinos
Morreste!
Capado em teu mau feitio 
odes ao negro e teu sobrenatural 
num instante riso envergonhado
 
E um longo choro irritante 
que derramaste em calçadas
sobre vultos em luto sentido
Morreste!

Deixa-nos agora cantar e dançar 
em rituais de fertilidade 
Guardar o nosso luto 
e, agora sim, viver 
sair da clausura para onde nos enviaste 
em passos menos apressados 
Que ao teu funeral vais sozinho 

É uma bênção 
os apaixonados envolvem-se
descobrem-se peles
intriga-se silhuetas sob leves sedas
só porque tu morreste
e nos dás de novo esperança

Cidade Encerrada

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