Entre a sombra e candeeiros suspensos
O tempo recolhe-se em núvens de pó
Não há pressa com o peso dos dias
Apenas uma esperança discreta de uma luz antiga
Que teima em não se extinguir
Sobre minha mesa de trabalho
Os despojos guardam segredos de quem somos
E o silêncio ganha o peso de uma palavra rasurada
As teias assinalam o labirinto de pensamentos
Enquanto o Outono entra sem pedir licença
É este o cheiro da terra e de meu mistério
Aqui, no meu recanto onde o mundo silencia
Esta penumbra não escondida
Revela o que de mais profundo habita em nós
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