Porque devo continuar?
Só porque respiro o ar
Calço em passeios de calçada antigaOu porque me distraio num jardim
Que mesmo sem flores
Não perde o seu encanto
Mas no entanto, devo continuar?
Só porque desperto cedo
Ainda de madrugada para ir trabalhar
Só porque tenho no bolso o tostão
Para uma breve refeição
Ou então, no trânsito engarrafado
Chego a casa e tenho o descanso
Sim, ainda devo continuar?
À noite sozinho me deitar
E desejar com o amor sonhar
Sem ter abraço para aquecer
E tudo o resto esquecer
Ou então deixar de acreditar?
Que o universo dita em regra
Que cada alma tem correspondente
E eu sem sentir perder
O beijo que era de amor e entrega sem favor
Agora é destino em desatino
Que a Nosso Pai já não adianta rezar
Foste embora sem a tua roupa embalar
Dizes ainda para continuar?
Talvez a sobviver sem sorrir
Sem sair de casulo ou conviver
Num canto de encanto de alguém
Que não te vou à ti encontrar
Não foi minha alma que perdi
Foi paixão tão ardente que
Num instante pesar tudo queimou
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