sábado, 7 de novembro de 2026

Livro Nocturno



Tenho passado as noites a escrever para um livro
Cada noite antes de me deitar
Um livro que não terá verso sofrido
E com tanta estrofe em tom divertido

Assim, depois de adormecer
Irei sonhar
Passar esse tempo a viajar
E se amanhã voltar a acordar
Desejar, de novo, adormecer
E até a ti caminhar

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Névoa da Habitação

Imagem gerada por IA em que a prompt é o poema


Se à rua eu saísse, na calma da solidão

Se em essa rua eu sorrisse

Em vez de me perder a olhar a multidão

Caminharia até ao centro de todas as coisas

Em que o tempo insistiu em esquecer


Onde décadas de portas encerradas

Na cidade sem gente ganham um contrato
E os gatos, esses que invadiam os escombros

São agora promotores de solares já sem cores


Deixaria de ver fábricas que escondem efluentes
E o rio que corre cansado sob o peso de nosso conforto
Porque o silêncio das águas estagnadas

É mais forte que a voz de quem o visita


Gritaria nas praças que a hipercultura industrial não nos salvou da névoa
Mesmo com os milhares a fingirem que estancamos a perda
Gritaria pelo fim dos protocolos que deitam fora a dignidade de quem trabalha
Para poupar os trocos de um erário nacional que nunca sobra


Eu não veria um filho sem telha ou boca calada
Mas a farda de um guarda à procura de uma casa nova

No glorificado edificado bancário adquirido de cruel bastonada
E a dependência de se tentar curar em ruelas onde gente já não passa


E onde o fogo espreita, livre, porque os pastores foram já nem a serra habitam

Se à rua saísse, não veria apenas a multidão
Mas a engrenagem fria de uma política sem património
A desenhar um futuro que tarda a chegar à cidade sem habitante a namorar


Poesia - Manifesto

Gerado por IA - A prompt foi o Manifesto

A poesia, às vezes, é solene, é de cerimónia. Veste um fraque ou um vestido de gala. É erudita nas conversas. Convive em soirées. Já pouco se encontra a poesia no campo, enquanto guardamos o
rebanho, ceifamos o feno ou semeamos. Já pouco se vê a poesia pelos cafés, a bebericar um copo de vinho, a trincar um torresmo ou apressada a tomar café. E não é por ser rica ou pertencer à alta da sociedade, é por aparência. Ficou convencida de tão elaborada que é. Acabou por não se dar com qualquer um.

E se libertássemos a poesia? E se a convidássemos para um copo de vinho? Como quando libertamos o anseio mais íntimo, cada segredo dito a um amigo, a um amante, como nos libertamos no êxtase, sem
pudor. Como se fosse libertar a nossa mente de crenças, preconceitos e normas.

Libertar a poesia é como soltar o nosso pensamento. Este pensamento tanta vez perdido na palavra elaborada, no verso que tinha a intenção de fazer apaixonar, arder em desejo quem o lê, agir e não conformar, mas que fica ali, só, de tão elaborado que ele é.

É só dizer, que não é atrevimento nenhum, simplesmente, dizer: estou apaixonado, revoltado, não permito que me amordacem, que sofro, que hoje só me apetece rir, conviver e dizer piadas ou então só soltar palavras. Que sou distinto de uma máquina que executa por comando.

Soltar as palavras, as regras e voltar a mostrar à poesia que somos iguais, que nós também conversamos, dizemos, recitamos e declamamos, num banco de jardim, num café ou enquanto caminhamos.
Dizer-lhe que não é preciso vestir-se a rigor, é só descontrair, desfrutar.

A poesia livre.

E às vezes só temos que parar um pouco, ler, sentir e anotar. Não ter medo de sentir. Reparem no momento em que o poeta é compreendido. Acontece a partir de um só momento, quando pousa a caneta e desliga a luz pela última vez. Depois é dissecado, primeiro o cérebro, depois o coração, os pulmões e, por último, os órgãos genitais. São feitas análises forenses pelos mais variados especialistas. Escrevem-se relatórios da autopsia. Só assim é que se descobre a origem do amor crónico, da revolta que fazia tremer o braço, o sofrer que lhe provocava apneia ou o prazer que latejava e inflamava.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

sábado, 31 de outubro de 2026

Pé na Umbra

Entre a sombra e candeeiros suspensos
O tempo recolhe-se em núvens de pó 
Não há pressa com o peso dos dias
Apenas uma esperança discreta de uma luz antiga
Que teima em não se extinguir

Sobre minha mesa de trabalho
Os despojos guardam segredos de quem somos
E o silêncio ganha o peso de uma palavra rasurada 
As teias assinalam o labirinto de pensamentos
Enquanto o Outono entra sem pedir licença

É este o cheiro da terra e de meu mistério
Aqui, no meu recanto onde o mundo silencia
Esta penumbra não escondida
Revela o que de mais profundo habita em nós

sábado, 17 de outubro de 2026

Coração Incandescente

 


No fundo do meu peito está um coração deserto
Incandescente da idade que o tempo foi ateando 
Desejando luz sem sombra
Que iluminou noites frias que o vento rasgou
E nessa ausência de calor é agora viscera aberta 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ruínas

Imagem da minha autoria, editada pelo agente IA Generativo Gemini


Um vento, desesperado
Um dia, arruinado Haja luz para relembrar Quantas décadas a celebrar

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Com ti no luar?

Imagem criada por Gemini com prompt do autor do poema


Porque devo continuar?
Só porque respiro o ar Calço em passeios de calçada antiga
Ou porque me distraio num jardim Que mesmo sem flores Não perde o seu encanto Mas no entanto, devo continuar? Só porque desperto cedo Ainda de madrugada para ir trabalhar Só porque tenho no bolso o tostão Para uma breve refeição Ou então, no trânsito engarrafado Chego a casa e tenho o descanso Sim, ainda devo continuar? À noite sozinho me deitar E desejar com o amor sonhar Sem ter abraço para aquecer E tudo o resto esquecer Ou então deixar de acreditar? Que o universo dita em regra Que cada alma tem correspondente E eu sem sentir perder O beijo que era de amor e entrega sem favor Agora é destino em desatino Que a Nosso Pai já não adianta rezar Foste embora sem a tua roupa embalar Dizes ainda para continuar? Talvez a sobviver sem sorrir Sem sair de casulo ou conviver Num canto de encanto de alguém Que não te vou à ti encontrar Não foi minha alma que perdi Foi paixão tão ardente que Num instante pesar tudo queimou

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Natureza



Talvez me apeteça olhar para a natureza
Só olhar e nem um pouco me mexer
Ou abrir a boca para palavra dizer
Só olhar a natureza
No campo, na floresta ou descampado
Nós sabemos, conhecemos
Árvores, formigas, escaravelhos e outros bichos
Um ou outro veado, um lobo aí da solitário,
Uma perdiz, uma lebre e mais haverá
Pinhas no chão, a folha que se soltou do vento que soprou
Fetos e giestas por onde o caminho não é feito
Essa já eu a conheço
A do Homem é que me é despercebida
Entre insultos ... e guerras e fortes punições
Parece a erva que o agricultor não quer
A daninha, que dê tudo o resto elimina

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Livro



O que sentiram quando uma palavra num livro vos disse: abraça-me?
Um arrepio pela espinha a escorrer no tempo que o livro ditou?
Um susto de ouvir um livro suplicar um afecto de pessoa apaixonada?
Ou continuar a correr, página atrás de página, até já não verem nem mais uma
Nem mais uma palavra que falava, que vos cantava ao coração
Então que seja o fim, o que sentem, ver tantas mais pessoas apressadas?
Outras tantas que um livro leram e assim que ele falou, abalaram
Para onde? Para um lugar isolado, sem vozes nem tremores
Esqueci-me que antes do fim, há o entremeio
Aquele lugar que os livros vão repousando, desesperando
Que voltemos ao início e conversemos, com ele
O ouçamos a palavra tão bonita, para mim especial, abraça-me
De novo e de novo, sem favor ou sem pressa para abalar

domingo, 14 de junho de 2026

Só Pedra... Sob Pedra


Pedra sob pedra desmoronando
De então laborioso e sapiente tempo
Estas debilitadas e perniciosas paredes
Prometeram-lhe utilidade
Depois de uma tempestade
Agora em sua pobreza extrema
Talvez ai cantem ou chorem demónios ou anjos
Que consumem a sua tez
Esquelética, esbranquiçada e cansada
Vai chorando, em cada pedra esforçada
Por desejo, em querer ser
Palco de fulgor e mais uma vez admirado.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Ao Contrário

Nas noites de Inverno
Choradas por um frio sentido
A persiana do quarto não a encerrava
Não me escondia da chuva ou ameaça de neve
E olhava, sem o arrepio de estar na rua
Janelas e luzes das casas encerradas
Tudo sereno, pela madrugada adentro
Agora já não adormeço sonhando
Encerro a persiana, escondo a curiosidade
Deixo a janela aberta para o vento
Se tiver ainda alento, durante a noite
Em me vir saudar
Deixei de mirar as outras casas
Encerrei-me na cápsula sem tempo
Para imaginar
Quanto têm os outros para contar
Em tempo, o desejo de sonhar

domingo, 31 de maio de 2026

Opinião da Dana



Os sonhos emigraram
À boleia de pássaros aventureiros
E um jardim, de esplanadas
Sem ninguém, florido
Impera o silêncio de breves conversas 

[Uma Frase]

Juntam-se poetas numa esplanada
                                    Em silêncio

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Avesso na Hora

Imagem criada com a IA Gemini (Google), baseada no poema


Não sou a paz nem sou a guerra
Sou em anseio de ser
O dia a anoitecer
A noite mesclada no dia
A hora longa num quarto
Um quarto que não alcança a hora
Sou viajante sem lugar algum conhecer
Então vejo-te sem te ter
E para te ter tenho que saber ser
Aborrecido num quarto só
Na breve hora 
Tão curta como o quarto
Que me deixe falar sem palavras dizer
De amor com juras e juras de sorrir
Assim de noite 
Onde sobra mais que a hora
Essa hora num quarto
Sem paz sem guerra

sexta-feira, 22 de maio de 2026

segunda-feira, 18 de maio de 2026

domingo, 17 de maio de 2026

Pedras Envelhecidas



Existem pedras no caminho
Calçado, para os pés não calejarem
Com flores e verde ervas a decorar

Sem transgredirem com o meu caminhar
Espaços dramaticamente arrumados
Conduzindo a cantos e recantos
A locais de espanto

Guardadoras de amores e dissabores
De agora e de outros no além
Contadoras de turras e aventuras
Vitórias e derrotas de conquistas

As pedra novas, agora colocadas
São silenciosas
Faltam-lhes tempo para admirar
Quem distraído passa a correr
Para a vida organizar

São as pedras urbanas
Convencidas eruditas
Insensíveis a um abraço, um beijo
E a um amor abandonado

Resta só quem as esmagam

Eu quero pedras envelhecidas
Mais interessadas e sabidas

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Entardecer o Dia

Estou encostado à janela do meu quarto
Em vigília da tristeza
Tentando afugentar a descrença
Senti que pedaços do meu corpo cansado
Foram dilacerados em peças
Primeiro, levaram-me os músculos
Depois os ossos
Deixaram o coração para
Arritmadamente, ir  sangrando
Nas lágrimas de tanto vigiar
Se o sorriso, a alegria de festejar
A liberdade
Esta que foi acorrentada 
Em cela de arame farpado
Sim, idealizei a morte
Para a poder resgatar e
Devolvê-la à vida anterior
Mas, de soslaio, foram construindo um muro
Senti, sem hesitar, esta separação
Solidificada na saudade e desejo
De voltar, na rua, a caminhar 

Pedaço do Meu Mundo

Três pinheiros
Num monte pequenino
Sozinhos
E consome-me a calma
Com calor do azul dourado espaço
Sozinho
O dia inicia
Com o voo de uma águia
Asas largas
Aladas
Sozinha
Sem caruncho
Da poeira urbana
Da multidão
Que socorre o tempo perdido
Num carro
A receita é simples
Um monte, três pinheiros, o Sol, a águia
Foi todo o mundo
Num só pedaço
Como um quente abraço

Poema em Destaque

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