A Viagem para ti

Photo by mostafa meraji on Unsplash


Sentei-me no beiral da serra
Contemplei o vasto céu
A longa distância da terra
Como meu grande troféu

Sou a Fénix da esperança
Que do alto da imensidão azul
Apreciei o ondular da tua dança
O teu relevo corporal
Os raios dourados do teu ser imperial

Do meu amigo vento tive o impulso
Para percorrer serras, vales e planícies
E regressar à superfície
De um abraço que não quero expulso

Sim, muito mais caminharei
E muito mais farei
Para ter em ti
O amor que senti

Pois, enquanto Fenix que serei
Da esperança reforçada
Nem a distância apertada
De ti me afasterei

Nasci... E o que sou?



Nasci a ferros, arrastaram-se para a vida

Acreditei em todos, com uma coragem de agradar

Ingénuo, palerma, tolo

Fui perdendo companhias com a idade


E neste instante ouço

Cresce, sê livre, voa, corre

Como um leão na savana

Cria o teu novo reino, ergue uma nova torre


Se fosse assim tão fácil

Libertar das amarras das crenças

Renascer, criar e voltar a ser

uma nova oportunidade, um novo momento, uma vida


Olhar para a frente quando tanto caminho já percorri

Já estou cansado, esgotado, sendo certo que ainda não morri

Mas já gastei tanta sola,

já esfarrapei tanta calça


Agora que falta tão pouco,

nem que corra

Já não é suficiente , já não tenho tempo

Paro? Reduzo a caminhada?


Não!

Grita alguém com força

Nem que te volte a arrancar a ferros

Continua, esforça!


E num ápice, olho para cima

Contemplo-te, és tu

Quem sempre segurou a minha mão

Que comigo tanto caminhou


Continuas por cá?

Não vês que sim

Por ti e por mais alguém

É esse o meu propósito, a minha essência

Cidade Encerrada

  Imagem gerada por Adobe Firefly Fui questionando quem passava apressado para fazer o nem sei o quê o caminho de saída desta cidade procuro...