Às vezes, muitas vezes grito Porra! e sem pudor também choro Não fui germinado em terra negra nos altos fornos do Diabo Nem tolhido em terra de celibato nas galerias ancestrais da castidade Grito quando me irrito À revelia do sossego instituído Do pão desperdiçado, negado a quem tem fome Do trabalho exagerado exigido ao coitado Tudo me irrita, Porra! Quando se tropeça na calçada percorrida nem um braço, abraço, um apoio como que sem dinheiro não fosse vida Quando se fala e ouvem mais as paredes essas que não julgam nem apontam o dedo Também choro quando vejo sofrer A dor de uma criança que não tem pão para comer um brinquedo para rir, umas sapatilhas para correr O pai e a mãe, de sol a sol, negros de trabalho exagerado não calam o choro da criança que nem assim baixam os braços ou perdem a esperança Choro e não tenho vergonha Quando a caridade é efemeridade para a fama de quem exige trabalho forçado mal pago Quando o chicote esvoaça e mata Grito...
Comentários