Filhas...



Criança minha, ar que eu respiro,
meu espaço, amarras do meu amanhã
Liberta-te, expande-te, sai desse retiro
Não temas, tu és a corajosa titã

Ladrilho a ladrilho que seja percorrido
Acredita! Que descalça não irás, 
nem de mão desocupada, nem ausente de apelido... 
Confia no teu reflexo, no teu sorriso sem mentiras

Confia no teu caminho, no objetivo destemido
Tens aqui um escudo, soldado da tua trincheira 
Não temas, criança minha, valente sonhadora 
Acredita, terás caminho protegido

Terás sempre à frente arma corajosa
Na retaguarda força vigorosa

Criança minha, meu espaço, calor no Inverno
De cabeça erguida, não haverá besta maliciosa
Nem ave negra invejosa

Discurso para a minha Consciência



Qualquer dia já não há amor!
Se não tivermos discernimento, 
perdemos o sentimento, 
arrastamos connosco uma forte dor. 

Havemos de acordar no Apocalipse, 
numa terra sem natureza, 
se assim continuarmos sem delicadeza. 

Havemos de morrer incompletos, 
mas antes mataremos o mundo. 
Será que temos consciência de como somos obsoletos?
Será que nos apercebemos o quanto estamos no fundo?

Senhoras e Senhores,
será que nos basta um discurso folgaz, 
de político convencido, de pensador sagaz?
Mais precisamos, de acção, de momentos precursores

Perdermos o amor, o sentimento e aceitarmos a dor, 
não construiremos, nem tão pouco salvamos
o que outros tantos construíram com ardor, 
destruíremos as árvores e os verdes ramos. 

Nada nos vale ficarmos assustados, 
quietos ou até calados. 
Somos milhões que existimos
e tanto uns dos outros precisamos. 

Sim, acredito no respeito e amor, 
na originalidade, 
no desejo e no ser defensor, 
na pessoa que sinta cumplicidade.

É isto que valeremos, que seremos,
acreditando no altruísmo global, 
poderemos salvar o mundo, seremos mais serenos, 
Mulher e Homem imperial. 

Se da particularidade fizermos parte
deste Mundo e da acção de salvar, 
acreditem que a dor acabará é voltará a arte, 
o amor por este Mundo melhor, e algo para cultivar. 

Outono dos Amantes

 


Entrospectivo
Do espectro emotivo
Do dia nebuloso
Da noite serena
Chuvosa

O Outono do agasalho
Do coberto remendado
O crepitar da chama
Silêncio abafado
Pelo grito de quem ama

Agarrados ao tórrido chocolate
Olhar sem combate

Ouvir, emergir, sentir
A gota de chuva mansinha
O vento que vem despir
Um desejo que se advinha

Agora,
Noite de Outono,
de nova hora
Dois amantes sem dono
Entrospectivo
Emotivo

O Amor de Coimbra

 

Fonte: http://www.portugalnotavel.com/torre-da-universidade-de-coimbra/

Sentei-me no Penedo da Saudade
Olhei para a "Lua de Prata" 
Sentinela da paixão, inspiradora de vivacidade
Com o desejo de uma serenata

Dedilhei a coimbrã guitarra
Fiz esvoaçar melodia de uma balada
Caminhando pela Sé Velha
Anseio por te encantar à janela

Sou um "humilde trovador" 
De "capa negra" traçada
Aguardo-te na Porta Férrea
Serei o teu romântico prosador

Não me irrito com a "cabra" 
Com o sino de 15 minutos atrasado
O que me mantém desperto
Que faz aclarar meu caminhar na calçada

Subo o Quebra Costas, deslumbro-te à janela
Tu, minha "bela donzela" 
Para ti canto a serena balada
A doce melodia delicada


Quando o Vampiro me sugar as capacidades

Bela Lugosi as Drácula - https://cinemaclassico.com/listas/10-fatos-sobre-bela-lugosi/

O dia que eu deixar de sentir
Quando do poema desistir
Aprisiona-me em sete palmos de terra
Mesmo de olhos abertos
Já não combaterei mais alguma guerra

Serei besta errante e delirante, 
pior que Belzebu
Ser intragável e abominável
Serei algo intratável

Se um dia deixar de sentir
Já não sou de ninguém
Pertencerei ao cornudo do Além 
Serei vil bastardo
Otário retardado

O dia que eu deixar de sentir
Não poderei ser mais amado, 
nem ente desejado
Serei parte restante
De algo que já foi e amou
E na incerteza rejeitou

No dia que deixar de sentir
Nem serei digno de mim
Não serei homem para sorrir
Serei a doença mais ruim

Não insistas em me cuidar
Já não serei capaz de amar
Não serei quem já fui
Serei acre pús que da ferida flui

Não sei como me sinto


Hoje não sei como me sinto
Não me apetece sorrir
Nem chorar
Não quero caminhar
Nem estar parado
Quero ficar calado
E quero falar
Quero olhar
E estar de olhos cerrados
Quero soltar amarras
E ser prisioneiro
Quero dar o salto
Ou então ficar quieto

Não sei como me sinto
Se escreva
Ou rasgue o papel
Se me alimente
Ou jejue a minha alma
Se acelero o batimento
Ou mantenho a calma
Se carrego o meu peso
Ou liberto a mala

Hoje não sei como me sinto
Não sei se serei ser presente
Ou a entidade ausente
Não sei se sou quem te abrace
Ou aquele que te liberta
Se sou aquele que te anima
Ou quem te irrita

Perder o Verbo

 


Começou por ser um risco
Um simples rabisco
Uma letra imperceptível
Em forma de pingo de mel

Juntou-se mais uma letra
Riscada por caneta convencida
E, de repente, como um penetra
Saiu uma palavra desprotegida

Rasgada de incerteza
Ansiosa por um predicado
Que não mostrasse fraqueza
Ficou à espera, com algum cuidado

E agora? Lamentou...
Que a tinta acabou
Com o papel rasgado
Sem Verbo completado

Palavra sozinha,
Sem sentido
Amargurada por ter perdido
O Verbo para outra linha

Cair da folha, Rebentar da folha


Reúne-se tudo à minha volta
Com um espasmo de alívio
Com um desejo sentido
Mas um sopro de momento basta
Ficar só numa nudez desconfortante
Desconcertante, desafiante
Abandonar de vez o que tudo trazia à minha volta

Deixar fugir a cor que animava
A cor que tanto desafiava
Com uns pingos convencidos
E cópia de outros repetidos

Uns fogem
Outros não vêem
E outros se escondem
Já ninguém me quer

Mas numa luta abismal
Entre o breu e o raio dourado celestial
O azul profundo aparece
Como um abraço quente que enrijece
De novo o verde aparece
E tudo à volta torna a reunir
Para voltar a sentir, sorrir e compartir

Cidade Encerrada

  Imagem gerada por Adobe Firefly Fui questionando quem passava apressado para fazer o nem sei o quê o caminho de saída desta cidade procuro...